(Créditos fotográficos: Albertina Costa)

As fotografias que, agora, publicamos foram captadas na zona de Couros, em plena área nobre de Guimarães. Se descermos pela Alameda de São Dâmaso, no lado sul, entramos na Rua de Couros. É aqui que se situa o “coração” da tradição de curtir e de surrar peles na “cidade-berço” (porque nela nasceu D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal). As suas artérias estendem-se aos lugares que envolvem o rio, o qual, no seu curto e sinuoso trajeto, invulgarmente conhece diferentes designações. A rua liga a zona de cima da cidade ao pequeno curso de água que a atravessa quase invisível: o rio de Couros.

O centro do Largo do Trovador é ocupado por um conjunto de tanques, recentemente reabilitados. Estando de costas voltadas para a Pousada da Juventude (antiga residência de um abastado negociante vimaranense), temos um balcão, que enquadra os tanques e a sua relação com o rio de Couros.

Vale a pena apreciar a forma como a água desaparece no labirinto de estruturas onde as peles eram mergulhadas nas demoradas operações para a sua transformação em couro. Neste processo, a água tinha um papel fundamental, sendo reaproveitada ao máximo entre as diferentes fases.

Propõe-se ainda uma descoberta da dimensão das lajes que, aqui e ali, servem de pavimento. Eram antigas estruturas de apoio ao curtimento das peles, nas quais se exerciam algumas operações e onde eram depositadas as matérias-primas e os resíduos resultantes desta atividade.

Na Idade Média, quando se aperfeiçoaram as artes e os ofícios, esta rua já ostentava a atual denominação. Em 1315, os irmãos João Barão e Pero Barão, sapateiros de profissão e confrades da Irmandade de São Crispim e São Crispiniano, terão fundado um albergue e uma capela em homenagem ao padroeiro do seu ofício (todavia, dada a incerteza quanto aos fundadores da Confraria de Santa Maria dos Sapateiros, há quem afirme que o hospital e a confraria se devem a um tal Martim Baião – ou Bayam). Porque o albergue funcionava como casa de recolhimento e ainda como hospital para pobres e peregrinos, diz-se que os irmãos sapateiros dotaram a instituição de uma fonte de rendimento, legando uma “poça com sete pias de pedra” à Rua de Couros. Segundo também informa a página eletrónica Guimarães Turismo, esta propriedade foi mantida pela Irmandade de São Crispim e São Crispiniano até ao final do século XIX.

 (Créditos fotográficos: Albertina Costa)
(Créditos fotográficos: Albertina Costa)
(Créditos fotográficos: Albertina Costa)
(Créditos fotográficos: Albertina Costa)
(Créditos fotográficos: Albertina Costa)

08/01/2024

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Albertina Costa

Maria Albertina Silva Nogueira Fonseca Costa é licenciada em Serviço Social, pelo Instituto Superior de Serviço Social de Coimbra, com pós-graduações em Intervenção Sistémica, pela Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, e em Proteção de Menores, pelo Centro de Direito da Família da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi cofundadora da Delegação Regional do Centro da Associação de Profissionais de Serviço Social, da qual foi a primeira presidente. Desenvolveu a sua atividade profissional na área da saúde, em vários estabelecimentos no Porto e em Coimbra. Nos últimos anos, trabalhou essencialmente com grávidas e com crianças de risco social. Foi coordenadora de equipa no Hospital dos Covões (Hospital Geral) e na Maternidade Bissaya Barreto, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Nesta última unidade, coordenou o projeto piloto “Nascer Cidadão”, que incentivava os pais a registarem os filhos na Maternidade. Atualmente, é presidente da direção da Sorriso – Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos, da qual foi cofundadora e a cujos corpos sociais pertenceu. Em 2015, iniciou formação na área da Fotografia, a que se dedica de forma formal e informal, constituindo uma atividade que a tem motivado nos últimos anos. Observar a realidade que a rodeia e captá-la através da lente tem sido a sua paixão. Com a rubrica “O Meu Olhar”, Albertina Costa traz uma nova perspetiva ao jornal "sinalAberto".

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