Guerra económica, paz económica…

 Guerra económica, paz económica…

“(…) les rivalités économiques, exaspérées chaque jour davantage, sont un grave danger pour la paix.” Henri Hauser in La paix économique, 1935

1935. Henri Hauser (historiador, geógrafo e mestre de Fernand Braudel) indica com precisão uma urgência: a de agir pela PAZ, quanto antes, para evitar o pior: outra guerra. Uma nova guerra, talvez mais atroz do que aquela que tinha merecido o nome de Grande Guerra.

Quem o recorda? Decerto, alguns especialistas que, por dever de profissão, ainda visitam as suas obras, que marcaram o percurso de uma reflexão atenta ao Tempo e ao Espaço moldados pela catástrofe de 1914-1918. Então, muitos fatores acentuaram as rivalidades, o desvirtuamento das práticas concorrenciais, as retaliações económicas institucionalizadas. Isto é, a guerra económica. Para obviar à eclosão de uma guerra total, deveria ensaiar-se soluções capazes de promover uma paz económica. Era o propósito de Hauser. Não teve êxito.

2020. Após uma “era” em que o livre-câmbio “absoluto” parecia ser a meta, para muitos, a HISTÓRIA voltou e o retorno do Mercantilismo inflamou os discursos. A nova tríade (EUA-China-EU) pode enredar-se velozmente numa escalada de conflitos e rivalidades que podem redundar numa guerra económica sem quartel. Um prelúdio, e apenas um prelúdio a uma guerra económica generalizada, é o que se tem visto durante o mandato de D.J. Trump como 45º Presidente dos E.U.A. Após a Grande Paragem devida à pandemia provocada pelo novo coronavírus, perante a possibilidade de se instalar uma Longa Depressão, voltam os temores de que será inevitável o conflito económico entre a República Popular da China e os Estados Unidos da América. Independentemente da administração que surgir da próxima eleição presidencial em Novembro.

Por isto, por mais razões ainda, é importante prestar atenção ao que disse Hauser. Por um lado, há que perceber como é improvável voltar ao business as usual. Por outro lado, a União Europeia tem que revelar-se, sem perlongas, como medianeira entre os grandes rivais do momento – a “outrora” chamada CHIMÉRICA. Oxalá, se torne depressa claro o que pode neste momento parecer ainda irreal. Sem a mediação da Europa a caminhada para uma reconfiguração da Economia Política Internacional adequada ao pós-pandemia será mais conflitual e perigosa. Acresce ainda que o papel da Organização das Nações Unidas não poderá ser minimizado. Um dia, um europeu, o atual Secretário-Geral da O.N.U., considerou imperioso um novo Conselho de Segurança: Económico, Social, Ambiental. Estava certo.

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Joaquim Feio

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