Médicos

 Médicos

(Créditos fotográficos: Sander Sammy – Unsplash)

Os médicos são os únicos profissionais com emprego garantido. Imediatamente, após o fim do curso. No “Público” ou no “Privado”. Ou em ambos. Nenhum deles corre o risco de trabalhar em “call center” ou ser “caixa de supermercado”. Como acontece frequentemente com outros licenciados, que não em Medicina.

São também os únicos profissionais que podem escolher a região ou a cidade onde querem exercer a sua actividade.

Por isso, faltam clínicos no Algarve e no “interior” do país. Apesar de algumas autarquias oferecerem complementos salariais e casas prontas a habitar.

Hoje, poucos são aqueles que, como Fernando Namora, por exemplo, estão motivados para exercer em aldeias do interior de Portugal. Não admira: os médicos são formatados para serem máquinas de fazer dinheiro. Pela sua Ordem e por “médias”, que muitas vezes adquirem em escolas privadas…

Fernando Namora, médico e escritor (1919-1989).
(medicina.ulisboa.pt)

Os médicos querem um aumento salarial de 30%. Acho justo, pois apenas os “ceo” da GALP, da EDP, da ALTICE, da BRISA ou o Governador do Banco de Portugal ganham à europeia. Mas também acho injustos os salários auferidos por todos os outros profissionais. Que o digam os investigadores, a maior parte deles com contratos precários; os recém-licenciados que estagiam à borla em escritórios de advogados; os professores deslocados que não conseguem arrendar um quarto; ou os jovens arquitectos pagos mal e parcamente.

Sim, os médicos devem ser aumentados. Tal qual todos os outros trabalhadores, os pensionistas e os reformados. Mas não devem chantagear, e muito menos vestir a bata cúmplice daqueles que há muito ferem de morte o Serviço Nacional de Saúde. Isto é, os sucessivos governantes e gestores públicos às ordens dos hospitais privados.

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06/10/2023

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Soares Novais

Porto (1954). Jornalista. Tem prosa espalhada por jornais, livros e revistas. “Diário de Notícias”, “Portugal Hoje”, “Record”, “Tal & Qual” e “Jornal de Notícias” (JN) são algumas das publicações onde exerceu o seu ofício [Fonte: “Quem é Quem no Jornalismo”, obra editada pelo Clube de Jornalistas, em 1992]. Assinou e deu voz a crónicas de rádio. Foi delegado sindical e dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) [no biénio de 1996/97, sendo a Direcção do SJ presidida por Diana Andringa], da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP) e membro do Conselho de Redacção do JN, do qual foi editor-adjunto do “Gabinete de Reportagem” e do “Desporto”. É autor do romance “Português Suave – Cuidado com cão” [1.ª edição “Euroedições”, em 1990; 2.ª edição “Arca das Letras”, em 2004], do livro de crónicas “O Terceiro Anel Já Não Chora Por Chalana”, da peça de teatro “E Tudo o Espírito Santo Levou” e da obra para a infância “A Família da Gata Pintinhas”. É um dos autores portugueses com obra publicada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Actualmente, integra a Redacção do jornal digital “sinalAberto”.

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