“Santa Clara” recheada de mimos

 “Santa Clara” recheada de mimos

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A casa Santa Clara está recheada de mimos. Gastronómicos e pessoais. Por obra e graça do talento culinário da Dona Rosa e da simpatia dos senhores António José Santos e Agostinho Reis. O “Senhor António”, como todos o tratam, está à frente do restaurante Santa Clara (na Rua António Carneiro, n.º 437, na cidade do Porto), há 36 anos.  Ele e a sua companheira, que conta com a colaboração da Dona Conceição. Com eles, está também, há muito, o “Senhor Agostinho”. É ele que se encarrega de servir os comensais. Tarefa que cumpre com a mestria de um bailarino, tal a elegância com que o faz.

(restaurantguru.com)

Confesso que gosto desta “casa”, dos seus proprietários e dos seus funcionários. E, igualmente, do que ali servem. Graças a uma cozinha honesta e tradicional, em que destaco as “Tripas à Moda do Porto”, o “Cozido”, os “Rojões com Arroz de Sarrabulho”, o “Bacalhau à Braga”, o “Arroz de Frango de Cabidela” e as “Sardinhas Fritas com Arroz de Feijão”, sendo as sardinhas pequeninas e o arroz malandrinho, como “manda a lei”. Delicie-se, antes de mais, com as mini-pataniscas, enquanto espera pelo prato principal. E, no fim do repasto, saboreie o pudim e outras guloseimas, a que se juntam, agora, as natalícias rabanadas. Esta “casa” tem também uma boa selecção de vinhos.

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O “Bacalhau à Braga”, as “Tripas à Moda do Porto” e os “Rojões com Arroz de Sarrabulho” são três pratos icónicos do restaurante Santa Clara.

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As doses servidas são fartas e a preços justos. A “diária”, com três pratos de carne e três pratos de peixe à escolha, custa 6,20 euros. E é contemplada com uma sopa, pão, um pequeno jarro de vinho ou uma bebida de garrafa. A portuense casa Santa Clara está aberta todos os dias, apenas encerrando aos domingos ao jantar.

Apresentada a casa de restauração Santa Clara, deixo-lhe agora três sugestões para um passeio por esta bonita zona oriental da cidade, que, em tempos idos, foi seu pulmão industrial e útero quente de um vulto do século XX portuense: Manuel Pinto de Azevedo (1874-1959), industrial, benemérito e coleccionador de arte, o qual, em 1923, adquiriu a maioria da sociedade detentora do desaparecido O Primeiro de Janeiro, jornal diário de grande prestígio e popularidade.  Anote, se estiver interessado:

(pt.wikipedia.org)
  • Igreja Matriz do Bonfim, com aparente simplicidade arquitectónica, por via do seu estilo neoclássico, a sua fachada é ladeada por duas monumentais torres sineiras com 42 metros de altura.
António Carneiro fotografado no seu ateliê,
em 1929, diante de um quadro inacabado.
(novacasaportuguesa.blogspot.com)
  • Ateliê António Carneiro do pintor, ilustrador, poeta e professor (António Teixeira Carneiro Júnior,1872-1930) nascido em Amarante, que ali trabalhou e viveu com os seus dois filhos: o músico Cláudio Carneiro e o pintor Carlos Carneiro. O Ateliê António Carneiro foi construído na década de 1920 e alberga três centenas de obras do artista. O ateliê foi alvo de um projecto de reabilitação da responsabilidade do arquitecto Camilo Rebelo, que recuperou a traça e o uso originais do projecto. Integra, agora, o Museu do Porto. Ou seja, a Casa-Oficina António Carneiro é um museu de arte localizado na Rua António Carneiro, na freguesia do Bonfim) e constitui mais um equipamento cultural da cidade com características programáticas e técnicas.
Antigo Liceu Central Alexandre Herculano. (pt.wikipedia.org)
  • A Escola Secundária (antigo Liceu Central) Alexandre Herculano, é uma escola histórica da cidade, que reabriu, há dias, após a realização de importantes e necessárias obras de reabilitação. O edifício tem traço do arquitecto Marques da Silva (1869-1947), o qual também assinou os projectos da Estação de São Bento, considerada uma das 14 mais belas estações do Mundo, bem como do Teatro Nacional São João e da Casa de Serralves, notável exemplo de um edifício “art déco” (na União de Freguesia de Lordelo do Ouro e Massarelos). Imóveis que moldaram a fisionomia da cidade e o colocaram entre os nomes maiores da arquitectura.

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04/12/2023

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Soares Novais

Porto (1954). Autor, editor, jornalista. Tem prosa espalhada por jornais, livros e revistas. Assinou e deu voz a crónicas de rádio. Foi dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) e da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP). Publicou o romance “Português Suave” e o livro de crónicas “O Terceiro Anel Já Não Chora Por Chalana”. É um dos autores portugueses com obra publicada na colecção “Livro na Rua”, que é editada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Tem textos publicados no "Resistir.info" e em diversos sítios electrónicos da América Latina e do País Basco. É autor da coluna semanal “Sinais de Fogo” no blogue “A Viagem dos Argonautas”. Assina a crónica “Farpas e Cafunés”, na revista digital brasileira “Nós Fora dos Eixos”.

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