A bestialidade, o ódio e o desrespeito
Pormenor do quadro (óleo sobre tela, datado de 1797) “O Sábado das Bruxas”, de Francisco de Goya. (Museu da Fundacion Lazaro Galdiano, Espanha – esmadrid.com)

Estive ausente, sem Internet nem televisão. Estou surpreendido com tantos acontecimentos em cinco dias. Para lá de elementos eminentemente políticos, reinam a bestialidade e o ódio e o desrespeito. E, pelos vistos, até de comentaristas televisivos. Sei que não se combate com ódio, que é o combustível de radicais e de nazis. Mas também não sei já como se combate. O ódio contaminou tudo e (quase) todos.
Moralmente, permaneço mobilizado com vacina para tais males. Coragem tenho a que um homem de 71 anos pode ter. Esperança (quase) nula. O que fazer não sei mesmo. Salvo a de pensar a longo prazo, lançando agora as sementes. O horror já não está a bater à porta, está no átrio de entrada, pelo menos. A divisão actual não é entre esquerda e direita, é entre a inteligência, a educação e o bom coração versus a estupidez, a ignorância e os maus fígados. Quem não perceber nem assumir isto nada percebeu e será, ainda que sem consciência disso, cúmplice e irresponsável. Os jogos florais político-partidários não têm lugar no que é preciso fazer, disso tenho a certeza.
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16/06/2025