O esquerdista Fogaça

 O esquerdista Fogaça

Paulo Raimundo (pcp.pt)

Perante as preocupações de Paulo Raimundo sobre as que um secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) devia ter ou não ter e a comparticipação norte-americana nos custos da mesma, ocorre-me a ideia, por comparação, de que Álvaro Cunhal, após três saltos na cova, passaria a achar Júlio Fogaça1 um esquerdista. Espero que, agora, Nuno Melo se bata pela reconstrução do Pacto de Varsóvia. Eu desisti de entender tudo isto.

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Nota da Redacção:

Júlio Fogaça (memorial2019.org)

1 – A página electrónica Memória Comum (Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos, entre 1926 e 1974) esclarece que Júlio de Melo Fogaça é filho de comerciantes abastados e que nasceu em Alguber, no concelho do Cadaval. 
“Durante o fascismo[,] a maior parte da sua vida foi passada na clandestinidade ou nas cadeias da ditadura. Membro do PCP [Partido Comunista Português] desde a juventude, passou cerca de 18 anos nas prisões fascistas: Tarrafal (Cabo Verde), Forte de São João Baptista (Angra do Heroísmo, Açores), Forte de Peniche, Cadeia do Aljube, Forte de Caxias. Teve sempre um comportamento exemplar na PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado] e nas prisões”, regista a página Memória Comum.

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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03/07/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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