“Falaindes, falaindes e nada dizendes”
(Créditos fotográficos: Bruno Martins – Unsplash)

Tinha um amigo que, em certas reuniões do Teatro Estúdio de Arte Realista – TEAR (um grupo de teatro de que fui fundador e, durante largos anos, seu director artístico), ironizava dizendo “Falaindes, falaindes e nada dizendes, calainde-vos!”, a propósito de emproados discursos de suposta reflexão intelectual, mas, verdadeiramente, movidos por afirmação de vaidades pessoais.
Creio que se ele fosse vivo, perante o descalabro e o miserabilismo da expressão oral e escrita da esmagadora maioria dos portugueses (para não falar da ainda mais reduzida capacidade de reflexão e de pensamento próprio), arriscava-se a que a sua ironia fosse tomada à letra, incluindo os erros gramaticais. E suscitaria reacções aparvalhadas de protesto por “querer silenciar as pessoas”, pois toda a gente parece ter opinião (e fundada) sobre tudo, mesmo que seja papagaio do que ouve ou lê (e só lê se a sintaxe for primária e o texto menos do que este mesmo).
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12/01/2026