O caso Epstein

 O caso Epstein

O multimilionário Jeffrey Epstein, morto em 2019 e acusado de comandar um esquema de abuso de menores e de tráfico humano. (Créditos fotográficos: Divulgação/Departamento de Justiça dos Estados Unidos – oglobo.globo.com)

Jeffrey Epstein (Créditos fotográficos: Jornal Nacional/
Reprodução – g1.globo.com)

O caso Epstein, para lá das manipulações óbvias de protecção a certas figuras, vem mostrar que, nos corredores de todo o tipo de poderes – não apenas os políticos e económicos, mas também mediáticos e outros –,  a criminalidade sexual anda de mãos dadas com os que confundem os acasos e méritos da fama com um poder “divino”, que lhes permite olhar para os outros como “coisas” inferiores para seu uso.

“Nada é mais importante para mim”, escreveu Epstein a um
associado em 2010, instruindo-o a encontrar uma empresa de
gestão de reputação. (ndtv.com)

É repugnante, muito para lá de Donald Trump, de direitas e de esquerdas, dos próprios actos em si. Mostra o lado pior da Humanidade e de como as teorias do bom selvagem (ou das auto-regulações) são o mais rematado disparate, bailando entre a ingenuidade e a perversidade.

Só a cultura, nas suas múltiplas formas (incluindo a religiosa e a do poder regulador e coercivo do Estado) ajuda a delimitar o lobo que há em nós. Jeffrey Epstein é filho dilecto de Jean-Jacques Rousseau, de Milton Friedman e também de Mikhail Bakunin. Quem diria que um “cocktail” tão diverso redunda no mesmo? Mas redunda.

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19/02/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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