Obra artística destruída por vingança

 Obra artística destruída por vingança

(Créditos fotográficos: Patrick Pahlke – Unsplash)

Acabo de ter conhecimento de que uma grande parte da verdadeira obra artística de um enorme fotógrafo foi destruída (ainda era do tempo de películas) por “revanche” da ex-mulher. Eu já tive grandes rupturas (amorosas e não só). Devolvi obras e documentos. Nunca os destruí, nem tal me passaria pela cabeça. É um crime contra o património. Ninguém tem direito a fazê-lo. Estou indignado. Levando ao extremo, mas na base do mesmo princípio: que seria se Mileva Marić se divorciasse de Albert Einstein e lhe destruísse as fórmulas todas? É uma canalhice sem nome, que não tem desculpa.

Mileva Marić e Albert Einstein conheceram-se em 1896, quando ambos estavam matriculados no curso VIA para futuros professores de Matemática e Física do ensino secundário. A imagem mostra o casal Marić-Einstein em 1912. (Créditos fotográficos: ETH-Bibliothek Zürich, Bildarchiv / Portr_03106 / CC BY-SA – metode.es)

02/03/2026

Siga-nos:
fb-share-icon

Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

Outros artigos

Share
Instagram