Morrem os nossos heróis de meninos
(Créditos de imagem: Jeremy Bishop – Unsplash)
Pior do que uma realidade dura e sangrenta, cruel, é constatar que as utopias se tornam em distopias antes inimaginadas, reforçando essa mesma realidade dura e conseguindo vê-la superada no pior, para voltarmos ao ponto de partida.

Depois da perda nas convicções anteriormente consideradas bandeiras, segue-se a descrença sobre a idealização abstracta de ideais de que ainda nos queremos convencer da pureza inicial. Posteriormente, vem a derrocada total, ao termos de parar e olhar de frente já não apenas a dureza da realidade sangrenta e cruel, mas para ver a crueldade do sangue puro e duro.
Morrem os nossos heróis de meninos e ficamos perdidos. E perdidos os heróis que o foram por estarmos enganados. Olha-se Deus como uma última oportunidade de haver um qualquer desígnio. E se Ele não estiver lá? Só resta acreditar que está. Porque se O não há, seja lá o que Ele seja, tudo é tão absurdo como a inutilidade de eu mesmo ter estado a escrever isto. A ser, que expluda o Sol já e amanhã o Universo colapse sobre si mesmo. Ele mesmo, Universo, é um equívoco: inútil, cruel, sangrento. Duro seria, em tal caso, permanecer qualquer existência. Nem um vidro quebrado serve. Nada.
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30/03/2026