Direito à estupidez

 Direito à estupidez

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É deplorável a muita parvoíce (no sentido etimológico exacto) intelectual de postagens “políticas” completamente primárias, ignorantes e extremadas. Quando o sentido crítico e autocrítico cede lugar a vulgaridades, muitas vezes, expostas como descoberta de evidências da inteligência do próprio, é natural que, depois, não haja espaço para diálogo, nem questionamento e autoquestionamento.

É mesmo um tempo de preguiça mental e de mentalidade preguiçosa no que toca a pensar. Não sei, mesmo sem cinismo, se é razão para irritar ou para ter pena. Se calhar, cinicamente sim, rir e ignorar. Se calhar, o direito à estupidez é um custo da liberdade.

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04/06/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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