A certeza das convicções
Buenos Aires, na Argentina. (Créditos fotográficos: Sasha • Make Stories Studio – Unsplash)
Enquanto Buenos Aires ainda está muito presente em mim e de lá me vêm notícias de gente que contactei, vou procurando reintegrar-me nesta realidade em que a esfera pública é muito pequenina, repetitiva, cansativa; por isso mesmo, previsível e muitas vezes “rasteirinha”. Mas quero conservar, para uso interno, meu, pessoal, a força de gente que vi a viver na incerteza dos acontecimentos com a certeza das convicções.

Não quero reintegrar-me na incerteza de convicções com a certeza dos acontecimentos previsíveis e nada mobilizadores. Verei até onde resiste este sopro na minha alma. O mesmo que me fez um riso escarninho, mais do que desesperar, num autocarro expresso de Lisboa para o Porto, que se atrasou hora e meia porque os “inteligentes” que dirigem (neste caso, obras na estrada) se lembraram de cortar um troço da A1, numa sexta-Feira ao fim da tarde, num nó já de si complicado.

As outras obras de que Portugal mais carece tornam-se, cada vez mais, as de misericórdia por uma Terceira República falida, que tem como única alternativa, por ora, uma Quarta República ainda pior, boçal, de antanho e completamente demagógica e aldrabona: na política, de forma evidentíssima, mas no resto também. Força, eu! Tens de resistir, Jorge! – bem como os mais, poucos, que sabem melhor do que este pobre “diabelho” que aqui escreve a catilinária: “Quo usque tandem, Portugalzinho, abutere patientia nostra?” (“Até quando, Portugalzinho, abusarás da nossa paciência?”)
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05/10/2026