A discussão sobre a IA

 A discussão sobre a IA

(Créditos de imagem: Katja Ano – Unsplash)

A discussão sobre a inteligência artificial (IA) deveria ser feita com mais rigor técnico, científico, antropológico e mesmo filosófico. E, consequentemente, talvez devesse ser feita uma pausa antes de avançar ou retroceder. Uma pausa apenas. Evolução ou recuo pode, qualquer uma das coisas, ser um erro sem precedentes. Não me sinto informado, nem vejo argumentos sustentados que levem à reflexão antes da conclusão.

O que assisto é a “declarações de fé” e a “gostos”. É assunto demasiado sério para certezas (de sim ou de não) e que não pode ficar-se em si. Exige um pensamento crítico sem “a priori” ideológicos, económicos, de competição de poderio militar ou outros. Lamento a salsifrada, que é o ruído, mais do que discussão. E certezas afirmadas – dos dois campos – são meros preconceitos e afirmações de profundíssima ignorância. Pensar que podemos dar opinião em matéria tão complexa, sem ouvir cientistas, sociólogos, antropólogos, filósofos, antes de saber se com o mais me devo preocupar ou não e em que linhas, é coisa que me aflige. E aflige-me que, assim, caminhemos em sentidos errados ou irresponsáveis. Há pouca inteligência nisto tudo e muito de artificial. Isso, sim. Não pode ser uma coisa do tipo das “eleições”.

Esta é uma imagem digital conceptual de ficção científica (sci-fi) gerada por inteligência artificial, que ilustra o conceito de um mundo globalizado e hiperconectado através da tecnologia avançada. (tek.sapo.pt)

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05/10/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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