A vontade do Universo vem de si mesmo

 A vontade do Universo vem de si mesmo

(Créditos de imagem: Guillermo Ferla – Unsplash)

As sucessivas descobertas de exoplanetas com potencial para albergarem vida, como a conhecemos, a descoberta de formas de vida que desconhecíamos, os rastos de formas de vida em outros planetas do próprio sistema solar, a constatação de modelos de vida em ambientes diferentes que determináramos como necessários para ela fazem crer que a vida é uma tendência e não um acaso nem um acontecimento único no Universo.

Mesmo que minoritária nele ou passageira na durabilidade, é uma constante na equação do que é e do porquê do Universo. A sua evolução para formas inteligentes, por mais diminutas que sejam, obriga a concluir que é verdadeiramente impossível (estatisticamente e racionalmente) a redução dela ao nosso planeta.

(Créditos de imagem: Javier Miranda – Unsplash)

O que falta saber são duas coisas: se alguma civilização tem tempo para vencer as distâncias ou de como as contornar, para comunicar com outra, antes de se autodestruir ou de acabar, simplesmente, pela transformação das condições sempre mutantes (naturais) do seu (e de cada) planeta e com o fim inevitável de todas e de cada uma das estrelas. E se isso é bom ou mau para se preservarem na sua multiplicidade.

Mas o facto, para mim, não cria dúvidas sobre a existência de Deus. Reforça-me a convicção de um propósito transcendente para o Universo e para a vida, que me leva ao encontro dessa inevitabilidade. Tal universo terá de ser decorrente de um acto volitivo. As religiões serão construções culturais, isso é outra coisa. Mesmo que digamos que a vontade do Universo vem de si mesmo, apenas significa uma visão igualmente religiosa, panteísta.

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13/04/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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