Abril… datas mil!

 Abril… datas mil!

As comemorações dos 52 anos do 25 de Abril em Coimbra contaram com um programa diversificado, destacando-se a tradicional manifestação popular que teve concentração na Praça da República e seguiu até à Praça 8 de Maio. (© VJS – sinalAberto)

Todos os anos, no dia 23 de Abril, os Catalães celebram Sant Jordi,
considerado um dos dias mais bonitos da Catalunha. (catalanwords.com)

Foram muitas as datas assinaladas no recente e glorioso mês de Abril. Comecemos pelo dia 23, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Em Barcelona, na Catalunha, foi celebrado o Dia de San Jordi, patrono daquela comunidade. É uma celebração em nome da lenda do cavaleiro que matou o dragão com a sua lança para salvar a princesa, tendo do sangue derramado nascido uma roseira de rosas vermelhas. A literatura e a poesia juntaram-se à festa catalã. Por toda a região da Catalunha, há, todos  os anos, comemorações e estima-se que, neste dia, se vendam mais de 1,5 milhões de livros e mais de seis milhões de rosas.

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Shakespeare reinventado por Gianni De Luca

(publico.pt)

Depois de terem publicado pela primeira vez em livro em Portugal, Sergio Toppi e Guido Crepax, o jornal Público e a Levoir (agora, em parceria com a editora A Seita) fecham a “santíssima trindade” dos mais inovadores desenhadores italianos de fumetti do século XX, com a publicação da “Trilogia Shakespeariana”.

Com autoria de Gianni De Luca, a primeira peça de William Shakespeare a ser transposta para a banda desenhada (BD) foi “A Tempestade”. E a principal inovação de Luca, foi a de usar a página como um palco, no qual se movem e interagem os personagens. É usada aqui de forma ainda moderada, para se tornar a regra nas adaptações seguintes: “Hamlet” e “Romeu e Julieta”. Há uma clara evolução estilística e um crescendo dramático e expressivo nessas três histórias, que culmina em “Romeu e Julieta”, história inteiramente contada com recurso a duplas páginas que se tornam o palco onde as personagens se movem e contracenam, com os elementos arquitetónicos a marcarem os tempos das cenas.

Se quiser, leia ainda o artigo “Shakespeare reinventado por Gianni De Luca”, escrito por João Miguel Lameiras e publicado no Público (online), a 17 de Abril de 2026.

(socks-studio.com)

Arménia

O dia 24 de Abril de 1915 é a data tradicionalmente consagrada como o dia em que foi dado o primeiro passo para o processo de extermínio sistemático dos Arménios executado pelo Império Otomano e, posteriormente, pela República da Turquia.

Genocídio arménio. (ensina.rtp.pt)

Há 100 anos, sob a direcção de Arturo Toscanini

A ópera “Turandot”, de Puccini, em HD da Metropolitan Opera, na temporada 2019-2020, no Whitefish Performing Arts Center. (dailyinterlake.com)

Há 100 anos, sob a direcção de Arturo Toscanini, no Teatro alla Scala, em Milão, estreava a última ópera de Giacomo Puccini, “Turandot”. O compositor falecera enquanto lavrava a partitura, pelo que, na noite da primeira récita, após as últimas notas escritas pelo compositor, Arturo Toscanini, em 25 de Abril de 1926, parou a “performance” e disse: “Qui finisce l’opera, perché a questo ponto il Maestro è morto!” (“Aqui acaba a ópera, pois neste momento, o mestre morreu”). Na segunda récita, Toscanini prosseguiu com o final escrito por Franco Alfano – actualmente, a versão mais comum.

E o nosso 25 de Abril… marcado por cravos vermelhos e verdes

(cm-arouca.pt)
Do Parlamento às redes sociais: o cravo verde do Chega traz à tona
simbolismo ligado a Oscar Wilde. (sapo.pt)

O Presidente da República, António José Seguro, retomou a tradição de levar o cravo vermelho ao peito, com um discurso dirigido à juventude: “Amem e apreciem o dia da Liberdade.” E, na parte final da sua intervenção, o chefe de Estado falou directamente para os jovens, a quem pediu que “não sejam espectadores da democracia, sejam protagonistas” e “não se resignem, não se calem, não desistam”.

Caricatos… Só a falta de informação e a ignorância do “senhor Chega” o levou a trazer um cravo verde para a Assembleia da República. O cravo verde, na Inglaterra vitoriana, foi o símbolo de comunicação entre os homossexuais. Popularizado publicamente pelo poeta e dramaturgo irlandês Oscar Wilde, transformou-se num emblema da resistência à moralidade imperante.

A frase “Jamais entre em luta com um porco. Ambos sairão sujos, mas só
ele vai se divertir com isso” é um provérbio popular frequentemente
atribuído a George Bernard Shaw, embora não haja registos definitivos
que comprovem que ele foi o autor original. A citação é um conselho
sobre sabedoria e inteligência, sugerindo evitar conflitos inúteis.
(facebook.com)

O também dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, outro grande escritor, contemporâneo de Wilde e possuidor de um espírito humorístico, foi o autor da frase que, nos últimos dias, sobre a luta de um homem com um porco, inundou, sobretudo,  as redes sociais. Isto vem a propósito do debate televisivo, a 13 de Abril, que colocou frente a frente o líder do Chega e o historiador José Pacheco Pereira.

Pedro Adão e Silva, no Público, cita a frase para, claro, metaforicamente, aludir à luta inútil de um político sábio e ilustrado – Pacheco Pereira – com um político que gosta da desinformação.

Fernanda Câncio, no Diário de Notícias, retoma o tema, no artigo “Nunca lutes com um porco;”: “[…] o porco leva-nos uma incomensurável vantagem na porcaria, e é muito difícil terçar, com seriedade, argumentos com alguém apostado em sacar de todos os truques baixos do cardápio, de todas as cartadas do populismo, da demagogia e das falsidades mais abje[c]tas, usar todos os maus sentimentos e toda a ignorância e ingenuidade dos que assistem à refrega no sentido de fazer valer a sua posição.”

Fernanda Câncio (ospontosdevista.blogs.sapo.pt)

Qualquer seja a posição assumida para o debate entre Pacheco Pereira e o “senhor Chega”, a verdade é, para mim, única. Não é preciso dar mais espaço à mentira nem à desinformação, pois ultraja a democracia. O “senhor Chega” chegou com cravo verde na mão… Deveria ter mais respeito e ser mais informado, sobretudo no seu movimento homofóbico e anti-imigração.

Bernard Shaw em 1914, aos 57 anos. (en.wikipedia.org)

George Bernard Shaw e Oscar Wilde foram contemporâneos, grandes autores e dramaturgos irlandeses, como é mundialmente reconhecido. Os seus pensamentos e obras literárias dariam para o maior compêndio sobre o Homem, a Humanidade, a vida e a literatura.

Wilde foi processado pela sua homossexualidade e castigado, pela Justiça, a dois anos de trabalhos forçados que inspiraram a sua obra “A Balada do Cárcere de Reading”, poema escrito no seu exílio em França, após sair da prisão vitoriana inglesa em Reading Gaol, em 19 de Maio de 1897. Reproduzo, apenas, uma pequena citação de uma versão traduzida: “Ele não vestia o seu casaco escarlate, / Pois sangue e vinho são vermelhos, / E sangue e vinho estavam em suas mãos / Quando o encontraram com os mortos. / Nunca vi um homem que olhasse / Com tanta saudade para o dia. / No entanto, cada homem mata a coisa que ama.”

(imdb.com)

Desculpem a minha arrogância, se assim podemos chamá-la! É claro que eu sabia sobre o significado deste símbolo do cravo verde. Quando tinha 12 anos (aquilo que me permitia a idade no meu país, Chile) vi o filme protagonizado por Peter Finch – grande actor, prematuramente falecido – “O Cravo Verde” (“The Trials of Oscar Wilde”), de 1960, realizado por Ken Hughes. Podem ver, acedendo aqui.

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07/05/2026

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Roberto Merino

Roberto Merino Mercado nasceu no ano de 1952, em Concepción, província do Chile. Estudou Matemática na universidade local, mas tem-se dedicado ao teatro, desde a infância. Depois do Golpe Militar no Chile, exilou-se no estrangeiro. Inicialmente, na então República Federal Alemã (RFA) e, a partir de 1975, na cidade do Porto (Portugal). Dirigiu artisticamente o Teatro Experimental do Porto (TEP) até 1978, voltando em mais duas ocasiões a essa companhia profissional. Posteriormente, trabalhou nos Serviços Culturais da Câmara Municipal do Funchal e com o Grupo de Teatro Experimental do Funchal. Desde 1982, dirige o Curso Superior de Teatro da Escola Superior Artística do Porto. Colabora também como docente na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, desde 1991. E foi professor da Balleteatro Escola Profissional durante três décadas. Como dramaturgo e encenador profissional, trabalhou no TEP, no Seiva Trupe, no Teatro Art´Imagem, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (UP) e na Faculdade de Direito da UP, entre outros palcos.

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