Andar distraído

 Andar distraído

Metro do Porto. (eurodicas.com.br)

(Créditos fotográficos: Rafay Ansari – Unsplash)

Na mesma semana, viajei no comboio Alfa, em classe conforto (o desconto para a terceira idade torna a diferença para a turística pequena e eu vinha muito cansado) e adormeci. Fui fazer um levantamento numa caixa multibanco e com a pressa de ir apanhar o comboio urbano do Metro, não levantei o dinheiro. No Alfa, cheio de executivos e de executivas com fatinho de marca agarrados aos computadores e aos telemóveis, quando acordei, tinham-me surripiado o telemóvel, que ficou em cima da prateleira das costas do lugar da frente. No metropolitano, senti alguém a bater-me nas costas. Era um homem de etnia romani (vulgo cigana) com as minhas notas estendidas, a dizer-me: “Olhe, esqueceu-se disto na máquina!”

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07/08/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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