Ausente profissionalmente em Viana do Castelo, uma mensagem

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“A Liberdade Está a Passar Por Aqui”, de Fernando Quintas. (noticia.bad.pt)

Soares Novais (Porto, 1954-2025)

Se há bons homens, há casos, raros, de homens bons. Mesmo bons.

Conheci tarde o Soares Novais, apesar de, na vida, termos passado por muitos dos mesmos lugares, sem nunca se dar o caso de nos cruzarmos, a não ser há quatro anos. Mas foi o bastante para reconhecer o carácter de um homem de ideias firmes e diálogo fácil.

Pode soar estranho como, neste quadro, posso dizer que perdi um amigo. E dizendo que amigos, não conhecidos, se tenho 10 é muito. Mas se tivesse só seis, ele continuava nessa categoria.

Não choro porque acho que ele não quereria, mas dói-me e vou ficar com uma nostalgia prolongada. Consola-me o sorriso da segunda-feira passada, quando me viu. Tenho de lho agradecer.

Vais, mas ficas: no coração e na generosidade que semeaste. Quando nos reencontrarmos, levo-te um sorriso para devolver o teu, meu querido Soares Novais. Tu és um homem bom.

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18/09/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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