Balanços de 2025: a publicidade
(garotasdepropaganda.wordpress.com)
Por natureza, a publicidade está em linha com as mentalidades e a capacidade de atracção das mensagens. Quando integrei a McCann/Erikson/Hora, em 1990, lembro-me de, na entrevista como seu director-geral, António Silva Gomes, este me ter perguntado o que achava eu de um anúncio completamente “fatela” de um vinho que existia. Respondi-lhe que me parecia muito bom, dado o público-alvo que perseguia. Sei que isso valorizou imenso a minha contratação, apesar de, quer Silva Gomes quer eu, do ponto de vista da nossa sensibilidade e gosto, acharmos aquilo deplorável.
Só que hoje, o lado “fatela” desse mesmo anúncio reina noutros produtos ou serviços, cujo público-alvo, naquele tempo, os repudiaria. É um bom barómetro para atestar da baixeza (ou devo mesmo dizer “baixela”?) do desnível de mentalidades e de sensibilidade que nos vitima.
A publicidade “cumpre” o seu papel. O papel que tem de cumprir é que está ao nível de 0º Kelvin de Cultura. Figurativamente, é como vender um Rolls-Royce na base de ter um baixo consumo, por exemplo!

25/12/2025