Brilhantes realizadores, estes!

 Brilhantes realizadores, estes!

(Créditos fotográficos: Boston Public Library – Unsplash)

Assisti a um telejornal em que o rodapé tapava quase totalmente uma tradutora gestual. Dei-me à pachorra de acompanhar 50 minutos o esterco para me certificar de que não corrigiam. Idêntico só quando o Estádio de Alvalade inaugurou um sector de lugares para invisuais, de onde não se via o campo. Mesmo assim, menos clamoroso de estupidez.

(prematuridade.com)

Fiquei sem saber se era “inteligência” artificial na régie ou estupidez natural hominídea. Mas, fosse o que fosse, é uma bela imagem do que é o estado deplorável da comunicação social em Portugal. Também já li, num rodapé, a extraordinária legenda: “especialistas respondem a quanto tempo devem os bebés ter licença de parto”. Os canais televisivos tornaram-se canais de esgoto no conteúdo e na forma.

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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15/09/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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