“Doidinhos” por um conflito directo

 “Doidinhos” por um conflito directo

(Imagem de divulgação – terceirotempo.uol.com.br)

Hoje, dei-me conta de que já durei mais perto de dois meses do que a idade com que o meu pai morreu. Não é muito de espantar, pois, para lá do aumento de longevidade geracional, da diferença de condições de alimentação de que gozei na infância e ele não, do facto de ele ter sido um fumador compulsivo (de quase quatro maços de tabaco por dia) e eu estar sem fumar já há mais de 20 anos, também não me aconteceu a possibilidade de ter morrido muito mais novo, porque o fim da guerra colonial aconteceu antes de eu ter de a ir fazer.

Guerra Colonial: exército português em operações, em 1964. (Créditos: Fundação Mário Soares / AMS – Arquivo Mário Soares Fotografias Exposição Permanente, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_114094 –esquerda.net)

A pergunta que me faço – e aterroriza – é se a geração dos meus filhos não corre o risco de morrer numa guerra que, a acontecer, terá uma incomparável maior perda de vidas humanas. Sei que os “doidinhos” por um conflito directo entre a União Europeia e a Rússia têm cada vez menos tempo para sequer a preparar, se é que alguma vez o teriam, sem as costas resguardadas pelos Estados Unidos da América. Mas, em nome de todas as vítimas e de não acabar Kiev por, simplesmente, capitular, não é tempo de apostar muitíssimo mais na diplomacia?

(consilium.europa.eu)

As teses da dissuasão militar, sempre duvidosas e sobretudo em conflitos desta natureza e no contexto actual, são tão disparatadas como o acto de empurrar um carneiro para um lobo, sem um cão-pastor por perto. É preciso dizer a Ursula van der Leyen e à respectiva comandita que basta de prosápia, de irrealismo e  de “interesses” numa solução que o que tem de mais importante em relação à própria Ucrânia é de eles não quererem saber dos Ucranianos para nada! Em nome do povo ucraniano e dos jovens europeus, clamemos: “BASTA!”

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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11/08/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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