Guterres despede-se da ONU: palco apetecível e odioso para Trump

 Guterres despede-se da ONU: palco apetecível e odioso para Trump

O secretário-geral da ONU, António Guterres, abre o debate geral da octogésima primeira sessão da Assembleia Geral. O tema do debate é: “Restaurar a confiança, gerir a transformação: umas Nações Unidas que produzem resultados para todos”. (Créditos fotográficos: ONU/ Loey Felipe)

António Guterres, o primeiro português na pele de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América (EUA), o país económica e militarmente mais poderoso do Mundo, têm discursos opostos.

No seu último discurso à Assembleia Geral, em Nova Iorque, Guterres apelou a que, antes que seja tarde, os governantes mudem de rumo, face à ameaça climática (que Trump qualificou de “farsa”), a um caminho divergente para a inteligência artificial (IA) e às fissuras do Mundo, sobretudo, entre Estados que se estão a alargar.

“A igualdade não é um sonho. É uma decisão. Se as Nações Unidas conseguem mudar, também os Governos conseguem. Também os Parlamentos conseguem. Também as empresas conseguem. Também os processos de paz conseguem. E também esta Assembleia Geral consegue”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. (Créditos fotográficos: ONU/ Loey Felipe)

Em tom belicista que confirma as inquietações do secretário-geral em fim de mandato, Trump declarou, ante a Assembleia Geral da ONU, ter uma decisão a tomar, em relação ao Irão: fechar um acordo com o regime de Teerão ou “aniquilar a República Islâmica”. Considerando-o “o rufia do Médio Oriente”, reiterou a possibilidade de levar o país “ao inferno, sem qualquer hipótese de sobrevivência”.

No púlpito daquele areópago mundial, em que os dirigentes mundiais proferem discursos de apelo à paz global, o inquilino da Casa Branca foi o segundo a usar da palavra. Contrariou qualquer mensagem pacifista. Celebrou a sua operação militar na Venezuela do início do ano, pela qual, segundo o orador, os EUA alargaram o acesso e o controlo sobre as vastas reservas de petróleo daquele país sul-americano.

Quase no fim de um mandato de guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irão e noutros países, bem como por catástrofes naturais de grande escala, António Guterres defendeu que os acontecimentos deste ano, em particular, mostram que até as nações mais poderosas têm limites e que a construção de um futuro melhor “começa com o reconhecimento, especialmente, por parte das superpotências, de que o seu poder não é assim tão super”.

Os participantes observam um minuto de silêncio durante a 1.ª sessão plenária da octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Na mesa da presidência encontram-se, da esquerda para a direita: o secretário-geral, António Guterres; Khalilur Rahman, presidente da octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas; e Movses Abelian, secretário-geral adjunto para a Assembleia Geral e Gestão de Conferências (DGACM). (Créditos fotográficos: ONU/ Loey Felipe)

Donald Trump discorda. Em declarações escritas, quando ainda não conhecia o discurso do secretário-geral, afirmou que os alertas sobre os perigos da IA para a Humanidade, surgidos de inúmeros programadores e especialistas de topo daquela área, provêm do “mesmo grupo de pessoas” que, alegadamente, estarão a promover a “farsa da Rússia”, numa alusão às suas ligações com Moscovo. E, frisando que a IA deveria chamar-se “superinteligência” (SI), numa demonstração do seu poder, garantiu que Washington rejeitará “qualquer tentativa de construir um esquema globalista para controlar” a IA.

Guterres, porém, falando de “outro caminho”, sustenta que “um Mundo interligado reconhece que nenhuma potência pode resolver os desafios atuais, sozinha”, e que a criação da ONU, após a II Guerra Mundial, foi ato de esperança e de desafio contra a História de guerras da Humanidade, de “países que sabem que os nossos futuros estão interligados”.

António Guterres, nos mandatos do líder norte-americano, teve de gerir a relação com pinças, devido à dependência da ONU dos fundos americanos. Não obstante, contra a posição trumpiana, defende que, apesar das suas fragilidades, a ONU é o único “lugar” onde quase todos os países têm assento. E, num Mundo mais fragmentado, isto pode tornar-se ainda mais importante. Ao invés, Trump vê a organização a perder relevância, retirou-se de agências suas e cortou o financiamento aos programas humanitários que esta gere.

Todos os anos, na abertura da sessão, realiza-se um debate geral que conta habitualmente com a presença de chefes de Estado e de Governo. Este ano, o debate decorre de 22 a 28 de setembro de 2026. (Créditos fotográficos: ONU/ Loey Felipe)

Na verdade, os tempos não favorecem altos representantes como Guterres, pelo que a ONU terá de fazer menos com menos e contar cada cent ou penny.

Presidente do Tribunal Penal Internacional, a japonesa Tomoko
Akane. (instagram.com/recordnews)

Donald Trump assumiu a responsabilidade pela crise orçamental da ONU, afirmando ter cortado o orçamento em cerca de 15%. Por isso, a organização teve de despedir quatro mil funcionários. Na mesma linha, apelou à demissão imediata de todos os membros do Tribunal Penal Internacional (TPI), considerando-o “instituição desonesta”. Aliás, o seu governo impôs sanções à sua presidente, a japonesa Tomoko Akane, ao procurador-chefe e a nove dos seus juízes, neste ano. Todavia, é um poderoso símbolo da ordem internacional baseada em regras, ordem que investigadores e politólogos acusam a administração Trump de minar.

Guterres, ao assumir que nunca renunciaria aos ideais da ONU, foi aclamado com longa salva de palmas. E Trump recebeu o mesmo tipo de aplauso, ao referir a preocupação da primeira-dama, Melania Trump, com as crianças ucranianas, e ao frisar que o Irão não pode ser capaz de desenvolver uma arma nuclear.

Guterres, que não é o presidente do Mundo, mostrou a sua limitação no cargo e a sua preocupação com o poder sobre a guerra e a paz, o poder que concentra a riqueza e impulsiona a desigualdade, o poder que alimenta o caos climático e a guerra contra a Natureza, e o poder desencadeado pela IA. Sobre guerra e paz, renovou o apelo a que os líderes mundiais adiram, na prática, à Carta da ONU, a defender o direito internacional, o multilateralismo e o respeito pelos direitos humanos.

Investigadora Minh-Thu Pham, do Programa de Ordem e
Instituições Globais do Carnegie Endowment for International
Peace. (carnegieendowment.org)

Os analistas acusam Trump de atacar os princípios do direito internacional, nomeadamente, em Cuba, pressionando-a a liberalizar a sua economia e a abri-la às empresas dos EUA, a comprar petróleo a Washington e a expulsar agentes dos serviços de informação russos e chineses. E as autoridades cubanas retiraram-se, após a declaração trumpiana de que Cuba é “um Estado absolutamente falhado” cujo governo “cairá”.

A investigadora Minh-Thu Pham, do Programa de Ordem e Instituições Globais do Carnegie Endowment for International Peace, lembra que “tendemos a pensar que o período que vivemos é pior do que o passado”, mas a Guerra Fria durou na maior parte da existência da ONU, e “talvez o período com menos atritos entre as grandes potências tenha sido a década de 1990, com outros momentos isolados”. Ora, “a razão da existência da ONU reside, precisamente, na frequência destas tensões”, vincou.

Secretários-gerais do passado enfrentaram intensa pressão. U Thant envolveu-se na Crise dos Mísseis de Cuba; e Kofi Annan sofreu a enorme pressão de Washington, com membros do Congresso a pedirem a sua demissão, mas continuou a usar a autoridade do cargo e a envolver-se em situações difíceis.

Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. (Créditos
fotográficos: Rory Arnold – Unsplash)

Hoje, o interesse dos EUA na ONU não é claro como dantes. As posições dos EUA são menos consistentes. Outros países estão mais dispostos a contactar, diretamente, o secretário-geral, para influenciarem as suas ações, e o mapa do poder económico e militar é diferente.

O facto de Trump fazer reuniões bilaterais à margem deste evento multilateral não indica que esteja empenhado em manter o multilateralismo. No entanto, em Nova Iorque concentram-se dezenas de líderes mundiais. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, condenou Israel, a que atribui “mentalidade genocida”. Enquanto discursava, os delegados israelitas abandonaram o plenário. E, mais tarde, o xeque Tamim bin Hamad Al Thani, emir do Catar, classificou a situação em Gaza como “genocídio em todos os sentidos da palavra”.

Trump olha para a Assembleia-Geral da ONU como mais um local de reunião. Na semana do seu discurso, seguiram-se conversas bilaterais com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com os primeiros-ministros britânico, Andy Burnham, a japonesa, Sanae Takaichi, o iraquiano, Ali al-Zaidi, a dinamarquesa, Mette Frederiksen, e o gronelandês, Jens-Frederik Nielsen. E teve o primeiro encontro com Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela.

(facebook.com/jornalexpresso)

Conversou com o líder ucraniano num momento em que ambos procuravam propostas de alívio das hostilidades, em especial, um cessar-fogo energético entre Kiev e Moscovo, com Trump a dizer acreditar que a subida dos preços dos combustíveis se deve aos ataques ucranianos a refinarias e a terminais petrolíferos na Rússia. Andy Burnham, em reunião à margem da Assembleia Geral, disse acreditar que será alcançado um acordo com o Irão, tendo havido conversações, a 22 de setembro, entre o seu governo e o iraniano. E os dois líderes abordaram as migrações, o conflito com o Irão, a guerra na Ucrânia e outros temas.

Donald Trump assinou um acordo de segurança sobre o futuro da Gronelândia, após meses de ameaças de comprar a ilha ou de a tomar militarmente. O acordo prolonga e modifica o tratado de 1951, mas mantém a soberania na Dinamarca. Os EUA planeiam construir duas bases militares na Gronelândia, o que poderiam ter feito, a qualquer momento, nos termos de um tratado de há mais de sete décadas.

O encontro que mais importa a Trump é com Xi Jinping, a 24 de setembro, em Washington, à margem da ONU. O líder chinês recebeu-o, há meses, em Pequim, com pompa e circunstância.

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Donald Trump, no seu discurso à Assembleia Geral da ONU, primeiro, ameaçou “aniquilar” o Irão, mas afirmou, depois, que responsáveis dos EUA e iranianos se tinham encontrado, horas mais tarde, à margem da sessão, no que é o primeiro contacto direto confirmado entre as duas partes, desde o início da guerra, em fevereiro. Depois de enaltecer a sua própria firmeza, em comparação com outros líderes, defendendo a decisão de iniciar uma guerra com o Irão, sugeriu que poderá ter pela frente “uma grande decisão” na guerra em curso com o Irão, ao apelar a Teerão que reabra, totalmente, o estreito de Ormuz e que regresse à mesa das negociações para encontrar uma solução. “Ou devo aniquilar a República Islâmica, fazê-lo rapidamente, sem lhe dar oportunidade de voltar a matar e a destruir pessoas e países?”, questionou, voltando a descartar a ideia de que o Irão tenha demonstrado qualquer resiliência.

O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos da América, discursa no debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral da ONU. (Créditos fotográficos: ONU/ Loey Felipe)

“O regime terrorista está a comportar-se mal, não porque seja forte e confiante, mas porque é fraco e está desesperado”, afirmou o presidente dos EUA, acusando Teerão de estar a ganhar tempo para fechar um acordo que permita reabrir, totalmente, Ormuz e para negociar um desfecho para a guerra, apenas depois das eleições intercalares norte-americanas, e garantindo que essa estratégia não vai alterar a sua abordagem ao conflito.

Apesar do tom inflamado do discurso e da defesa firme da guerra, o inquilino da Casa Branca revelou aos jornalistas a realização do encontro entre as duas partes, mas deu poucos detalhes. “Foi uma reunião muito boa”, afirmou.

Está, ainda, prevista uma reunião com líderes e altos responsáveis de países do Conselho de Cooperação do Golfo, como o Bahrain, o Kuwait, Omã, o Catar, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e a Arábia Saudita, para discutirem a guerra com o Irão e a crescente preocupação com os ataques dos Houthis, apoiados por Teerão, contra a Arábia Saudita.

Discurso de Donald Trump abordou ainda os enormes desafios e oportunidades da Inteligência Artificial. (© Adobe Stock/Ipopba –news.un.org)

Donald Trump, que planeia ainda participar num evento sobre o Escudo das Américas, uma iniciativa lançada, neste ano, com países latino-americanos, centrada no combate aos cartéis violentos, garantiu que a nova guerra contra o Irão era necessária, para enfrentar a ameaça nuclear colocada por Teerão, e defendeu que o Mundo está melhor sob a sua liderança. “Enquanto presidente da nação mais extraordinária da História, não tenho interesse em deixar perigos a crescer por mais um dia”, observou.

(tiktok.com/@infomoney)

A guerra tornou-se mais complexa, embora os ataques dos EUA e de Israel hajam liquidado grande parte da cúpula iraniana e destruído a força aérea e a marinha do país, enquanto o bloqueio norte-americano ao petróleo iraniano deixou Teerão em colapso económico. Está nervoso com a guerra o mercado energético, e os preços do petróleo voltaram a subir, depois de a Arábia Saudita ter encerrado um oleoduto crucial que era uma válvula de escape para o crude bloqueado no Golfo – decisão tomada após o ataque o oleoduto por militantes apoiados pelo Irão, no Iraque, em cena de troca de tiros com os rebeldes Houthis do Iémen.

Ao mesmo tempo, os avanços territoriais dos Houthis e o controlo do estreito de Bab el-Mandeb tornaram arriscada a passagem de petroleiros por essa rota marítima no mar Vermelho. No entanto, Donald Trump insistiu que a subida dos preços do petróleo é transitória e que desaparecerá quando a guerra terminar. “Os preços do petróleo vão cair em queda livre, ainda mais do que estavam no início do conflito”, garantiu.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou, no dia 22, que o presidente Donaldo Trump está disponível para se reunir com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, enquanto este se encontra em Nova Iorque para a Assembleia Geral. “Este é um presidente que, na maioria dos casos, está disposto a reunir-se com qualquer pessoa, porque considera que o diálogo é importante, se quisermos resolver problemas […] Não significa que se vá acabar por concordar com essas pessoas, mas é importante”, disse Rubio à NBC.

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Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian. (Créditos fotográficos:
Mehr News Agency – pt.wikipedia.org)

Relatos contraditórios surgiram de Teerão, no dia 22, sobre se o Irão terá oferecido, em privado, reabrir o estreito de Ormuz, no prazo de sete dias, depois de responsáveis iranianos não identificados terem dito à Reuters e à agência japonesa Kyodo que a proposta foi transmitida a Washington através de mediadores – versão que meios de comunicação iranianos próximos do Estado desmentiram. Segundo a Kyodo, a proposta visa pôr termo, de forma permanente, à guerra entre os dois países, pelo que o Irão receberia, com agrado, a retoma da diplomacia com os EUA, se Washington der passos em direção à paz. Contudo, a agência semioficial Fars negou as informações, pouco depois, classificando-as de pouco fiáveis e imprecisas.

Não é a primeira vez que Teerão transmite sinais contraditórios sobre um eventual acordo. Em junho de 2025, o presidente norte-americano anunciou um cessar-fogo entre o Irão e Israel, na sua plataforma Truth Social, antes de o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, ter negado, publicamente, a existência de qualquer acordo. E, em junho deste ano, Trump afirmou que as condições para pôr fim à guerra tinham sido “aprovadas por escrito”, antes de os media estatais iranianos publicarem o que descreveu como condições fabricadas, em comunicados concorrentes que dificultam o progresso diplomático.

Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
(instagram.com/monekenea)

Entretanto, Marco Rubio, no mesmo dia, afirmou aos media dos EUA, que Washington está disponível para um encontro com o Irão na Assembleia Geral da ONU.

Por seu turno, ao partir para Nova Iorque, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, prometeu “defender, firmemente”, as posições do país. “Saímos com a cabeça erguida e isso é uma fonte de dignidade e orgulho para todos nós. Por isso, defenderemos, com firmeza, as nossas posições nas instâncias internacionais”, declarou.

“Vamos aproveitar esta oportunidade, da melhor forma possível, para expor a situação do Irão à comunidade internacional. Diremos, com firmeza, aos nossos adversários que, apesar de todas as desigualdades e injustiças, o povo iraniano se manteve firme”, afirmou.

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Como nota de curiosidade, é de referir que o presidente francês, Emmanuel Macron, no dia 21, à noite, atravessou Manhattan a pé, a fim de se encontrar com o presidente dos EUA, na Trump Tower, antes da Assembleia Geral da ONU, para discutirem vários dossiês, incluindo a situação na Ucrânia. Acompanhado pelo ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, por elementos da segurança e por assessores, atravessou as ruas, passando por vários agentes da polícia e cumprimentando um deles com um aperto de mão.

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O Mundo, incerto e inseguro, devido à inépcia ou à maldade dos líderes, precisa de rumo.

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24/09/2026

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Louro Carvalho

É natural de Pendilhe, no concelho de Vila Nova de Paiva, e vive em Santa Maria da Feira. Estudou no Seminário de Resende, no Seminário Maior de Lamego e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi pároco, durante mais de 21 anos, em várias freguesias do concelho de Sernancelhe e foi professor de Português em diversas escolas, tendo terminado a carreira docente na Escola Secundária de Santa Maria da Feira.

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