Não gosto da Páscoa roxa
“A Ceia em Emaús” é uma das principais pinturas a óleo do artista barroco italiano Caravaggio. (pt.wikipedia.org)
Não gosto da Páscoa roxa de desfiles com a cruz às costas e silêncios pesados. Jesus Cristo foi morto porque quis trazer amor e não dor, riso às crianças e aos velhos, alegria e compaixão para com quem sofre. Quis lembrar que “liberdade” rima com “livre-arbítrio”, muito melhor do que com dogmas e preconceitos.

É esse Jesus Cristo que sigo, não o que expõem na dor como modelo. Baptizei-me com mais de 50 anos, porque creio numa força transcendente, alfa e ómega, a que podem dar o nome que quiserem, mas a que eu chamo simplesmente Deus. E fi-lo na Igreja Católica, porque vivo num país maioritariamente católico. Porém, no Cristianismo autêntico me reveria sempre nessa figura ímpar da História da Humanidade. Creia-se ou não ser Filho de Deus e Deus n’Ele próprio. Jesus do amor, da paz, da liberdade, da comunhão, da solidariedade. Um Jesus do ódio, da guerra, da imposição, do individualismo e da exclusão é uma invenção: roxa. A sua morte ensina as primeiras condições, não apela às segundas.
Quem odeia, quem exclui e quem ignora o outro está fora do Cristianismo, por mais que bata no peito. É como se batesse no coração de Jesus para o magoar. Jesus Cristo perdoa o arrependimento sincero, não castiga. Mas o arrependimento, mais do que contrição, é acolher Jesus Cristo como Ele foi, o Cristianismo como ele é. Definitivamente: roxo, não. Jesus Cristo é de todas as cores, não de uma.
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Nota do Director:
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06/04/2026