O elevador da miséria
(oecd.org)
Sobretudo através do telelixo da CMTV, mas não só, vamos dando conta da “nossa” imitação pífia do mais “sórdido light” de Hollywood, com supostos suicídios que “se” desconfia serem homicídios, desaparecimento de familiares dos “famosos”, separações em fúria, violência doméstica inesperada, assédio e agressões sexuais, riqueza desbaratada no consumo de drogas!

Mas temos uma particularidade maior: o chamado elevador social dos mais pobres nunca se pode, hoje, realizar pelo esforço, pelo conhecimento ou sequer pela capacidade empreendedora. Sem o “encosto” ao esgoto do ‘“sórdido light”, é quase impossível. Tem de se sair da miséria material para a miséria moral. As bolsas de estudo estão longe de fazer face às despesas da simples soma de propinas, de transportes e de um quarto alugado. O acesso ao crédito empresarial é mínimo e as taxas de juro exorbitantes. O reconhecimento do valor da criatividade, do trabalho ou do saber e da cultura é nulo.

Um país que assim (des)caminha corre em direcção a uma maior pobreza interna e no contexto das demais nações vizinhas. Se ao menos houvesse um “Chega” a denunciar isto, restava alguma esperança do protesto vir a contribuir para sair desta miséria moral, económica e existencial. Mas está tudo bloqueado até ao nível do pensamento e da acção cívica.

proverbial em todo o Mundo. (tnsj.pt)
Resta esperar que ainda caia mais (quem julga que se “bateu no fundo” ainda não viu nada), que se passe por uma ditadura e que nasçam alternativas a ela e à podridão sociopolítica em que estamos. Erguer cravos folclóricos em nome desta porcaria toda é estragar os sonhos dos próprios cravos. É mesmo um insulto aos que (de diferentes e com diferentes perspectivas) saudaram o dia 25 de Abril, antes de começarem as divisões. Como Samuel Beckett, dando voz à personagem Estragon, também eu penso que “não há nada a fazer”. Farei em campo fechado e muito limitado o que puder para mitigar dores e abandonos. E para eu mesmo tentar respirar. O mais é para muito, muito, muito, muito, muito depois.
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Nota do Director:
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23/10/2025