O tempo é mau e bom

 O tempo é mau e bom

(Créditos fotográficos: Jordan Benton – pexels.com)

O tempo que vivemos é, como todos os tempos, mau e bom. Ainda que os tempos oscilem entre a dominância do Bem ou do Mal. Não é uma questão geracional. Conheço muitos jovens que também pensam que os de hoje são maus. E conheço bastantes pessoas da minha geração que os acham bons.

(avoir-alire.com)

Se a História andasse sempre para a frente em direcção ao melhor, teríamos de concluir que o III Reich foi melhor do que a República de Weimar ou de aceitar que Donald Trump é melhor do que Thomas Jefferson. Para já não admitir que, noutro campo diferente, teria de dizer que os Apóstolos serviram pior a Deus do que os inquisidores.

É que não tem mal olhar o passado para encontrar o futuro. Mau é pensar que o presente é sempre o caminho para melhor futuro ou que o futuro será sempre pior do que o presente.

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11/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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