O último livro de Varoufakis

 O último livro de Varoufakis

Yanis Varoufakis (pt.wikipedia.org)

(Direitos reservados)

O último livro de Yanis Varoufakis (economista e ex-ministro das Finanças da Grécia), intitulado “Tecnofeudalismo – Ou o fim do capitalismo”, é uma decepção. Na análise, nada traz de inovador. Faz recurso a uma linguagem um tanto exibicionista, ao falar de tecnofeudalismo na vez de capitalismo digital. O facto de caracterizar como renda o uso do capital digital é “puxado pelos cabelos”. O capitalismo sempre conservou aspectos rentistas muito aquém dos meios digitais.

(instagram.com/blogministeriodoslivros)

No que, entretanto, propõe como alternativa raia a infantilidade “decorada” com uma complexidade não só inaplicável, como ainda mais utópica do que os aspectos mais utópicos do marxismo. Parece um exercício um tanto diletante e de um certo autoconvencimento. Uma desilusão para quem, como eu, independentemente de convergências e de divergências políticas, ia à procura de rigor científico esclarecedor sobre as mutações que uma economia de algoritmo introduziu.

Vou passar à leitura de “Algoritmocracia”, de Adolfo Mesquita Nunes, a ver se encontro alguma coisa diferente, de facto inovadora, independentemente das divergências e convergências políticas. Varoufakis, num certo sentido, faz-me lembrar José Mourinho.

.

05/02/2026

Siga-nos:
fb-share-icon

Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

Outros artigos

Share
Instagram