Para lá da noite eleitoral

 Para lá da noite eleitoral

Ponte 25 de Abril, Lisboa. (Créditos fotográficos: Svetlana Gumerova – Unsplash)

Não faltarão leituras, análises e declarações de vitórias e de derrotas eleitorais para todos os gostos e paixões. Eu, se tiver alguma coisa a exprimir para partilhar, prefiro manter a calma para depois de passada a histeria da opinião imediata.

(jf-estrela.pt)
Almada Negreiros
(portaldaliteratura.com)

Hoje, prefiro lembrar uma das muitas tiradas geniais de Almada Negreiros: “O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses: só vos faltam as qualidades.”1 Não subscrevo ipsis verbis, mas é uma boa provocação para pensarmos para lá da noite eleitoral ou, justamente, numa noite eleitoral.

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Nota da Redacção:

1 – Almada Negreiros, em “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”, Dezembro de 1917.

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26/01/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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