Plena liberdade de consciência e de opinião

 Plena liberdade de consciência e de opinião

Cristiano Ronaldo quando rapaz prometedor no futebol. (vavel.com)

Acabo de concordar com uma postagem de João Micael, que julgo ter, assumidamente, um pensamento de direita com radicalidade (mas nada de boçalidade dos membros do Chega ou da criminalidade de Mário Machado, entenda-se). Reconheço-me em absoluto no que ele, João Micael, comenta sobre o exemplo que Montenegro foi buscar para exaltar as virtudes de um português. (E gosto muito de futebol.) Espero que – sei que alguns gostam de me pôr aí – não me achem fascizante ou sequer de direita nacionalista pela convergência na matéria.

(Créditos de imagem: Gerd Altmann – Pixabay)
(inspsic.pt)

Quando gostar de alguma afirmação que venha de alguém de extrema-esquerda não me venham dizer que sou comunista ou algo parecido, o que também fazem. Isso é incomodativo para mim, que exerço a mais plena liberdade de consciência e de opinião (mesmo se e quando esteja errado). Mas é um dos traços de conduta de que mais me orgulho. Apesar disto ser (ou parecer) paradoxal. Mas a realidade – mesmo no mundo da física – não o é?

O que eu não suporto mesmo é a proibição de sentidos que não seja o sentido do próprio pensamento. E, já agora, de pensamento próprio. Sei apreciar o lado estético de Leni Riefenstahl e de Serguei Eisenstein, sem ter de me confundir com os seus carácteres ideológico-propagandistas. Tal como gosto, imenso, de Vergílio Ferreira ou de Mário de Sá-Carneiro, que nada têm a ver com os dois cineastas citados.

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29/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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