Quem ama não oprime

 Quem ama não oprime

(Créditos de imagem: Mart Production – pexels.com)

Escrevi no programa do espectáculo “Os Encantos de Medeia” (em 1983) o seguinte e só o seguinte: “Entre amor e poder existe uma incompatibilidade trágica: quem ama não oprime, quem oprime não sabe amar.”

(Créditos de imagem: Kampus Production – pexels.com)

Hoje, lembrei-me disto a propósito de coisas que nem sequer têm a ver com o amor carnal e a paixão. Mas verifiquei que permanecem uma síntese perfeita de uma verdade elementar; talvez mesmo a primordial. Talvez mesmo a do cristianismo. Nem eu o pensara antes, foi uma espécie de epifania, quando era suposto, como encenador, escrever alguma coisa no programa e nada mais tinha a acrescentar ao que criara em cena.

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23/02/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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