Raiz autodestrutiva a germinar
47.º presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. (metropoles.com)

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A falta de empatia (e de bom senso) de Donald Trump nas declarações sobre a morte de um artista de quem não gostava são muito mais preocupantes do que, à primeira vista, se diria. São gravíssimas por virem do presidente dos Estados Unidos da América. São-no, nesse aspecto, politicamente. Mas mais preocupante não será ter de se admitir que elas espelham, sociologicamente, uma cultura de ódio (também dos que a elas reagiram com igual falta de empatia e de bom senso)?
É que isso é sintoma de uma civilização em desagregação, no mais elementar da existência social. Desde logo, a começar pela sobreposição dos instintos reptilianos a qualquer capacidade de filtro e de decoro mental. Para lá de Trump (sem ignorar a gravidade de vir de um presidente de uma nação que se supõe civilizada, não me entendam mal), a questão levanta uma outra: o egotismo e a indiferença que sedimentam o modelo de pensamento e os sentimentos dominantes (generalizadamente, no Mundo) são ou não o veículo para a autodestruição da civilização (não desta em particular, mas de qualquer uma) e, com ela, da espécie?

Donald Trump é um exemplo de expressão exacerbada, mas não será, de facto, espelho de uma tendência universalizante? Vale a pena reflectir para lá de reagir. É muito pior do que possa ser Trump, ainda que Trump lhe pertença e ajude a verbalizar; e, consequentemente, a vulgarizar ódio, indiferença e demência, mesmo. Até onde, apesar dos que rejeitam isto, como eu? Não há já uma raiz autodestrutiva a germinar?
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18/12/2025