Raiz autodestrutiva a germinar

 Raiz autodestrutiva a germinar

47.º presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. (metropoles.com)

Donald Trump (Créditos fotográficos: Library of Congress –
Unsplash)

A falta de empatia (e de bom senso) de Donald Trump nas declarações sobre a morte de um artista de quem não gostava são muito mais preocupantes do que, à primeira vista, se diria. São gravíssimas por virem do presidente dos Estados Unidos da América. São-no, nesse aspecto, politicamente. Mas mais preocupante não será ter de se admitir que elas espelham, sociologicamente, uma cultura de ódio (também dos que a elas reagiram com igual falta de empatia e de bom senso)?

É que isso é sintoma de uma civilização em desagregação, no mais elementar da existência social. Desde logo, a começar pela sobreposição dos instintos reptilianos a qualquer capacidade de filtro e de decoro mental. Para lá de Trump (sem ignorar a gravidade de vir de um presidente de uma nação que se supõe civilizada, não me entendam mal), a questão levanta uma outra: o egotismo e a indiferença que sedimentam o modelo de pensamento e os sentimentos dominantes (generalizadamente, no Mundo) são ou não o veículo para a autodestruição da civilização (não desta em particular, mas de qualquer uma) e, com ela, da espécie?

(Créditos fotográficos:  Bobby Iv – Unsplash)

Donald Trump é um exemplo de expressão exacerbada, mas não será, de facto, espelho de uma tendência universalizante? Vale a pena reflectir para lá de reagir. É muito pior do que possa ser Trump, ainda que Trump lhe pertença e ajude a verbalizar; e, consequentemente, a vulgarizar ódio, indiferença  e demência, mesmo. Até onde, apesar dos que rejeitam isto, como eu? Não há já uma raiz autodestrutiva a germinar?

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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18/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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