Uma “peineta”

 Uma “peineta”

Elevador da Calçada da Glória, em Lisboa. (podi1.com)

Após 28 auditorias, 33 comissões de inquérito, oito grupos de trabalho, 101 pareceres, 37 consultas externas, 11 estudos internacionais, 92 selfies do Professor Marcelo com feridos, 86 desmentidos e nove desmentidos de desmentidos, 29 informações contraditórias, 65 análises de comentadores televisivos, 802 horas de reportagens da CMTV a mostrar sangue das vítimas e oito anos volvidos, ficaremos a saber que a tragédia com o elevador da Calçada da Glória, em Lisboa, ter-se-á iniciado com um ataque falhado da Carbonária ao rei Dom Carlos I, evoluiu para um boicote da Igreja Evangélica ao aço russo, passou pelos interesses de Quentin Tarantino para produzir um filme de turismo negro e acabou com uma espanhola que deixou cair uma peineta1 do cabelo e que comprava caril de contrabando a um lojista do Martim Moniz.

Martim Moniz, em Lisboa. (awannabejournalist.wordpress.com)

Nota:

Peineta trabalhada em madrepérola. (en.wikipedia.org)

1 – Uma peineta é um tipo de pente largo e geralmente curvo, de origem espanhola, usado como adorno de cabelo ou para prender um penteado, sendo um acessório tradicional na cultura espanhola para ocasiões como casamentos e apresentações de flamenco.

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Nota do Director:

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15/09/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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