Uma romaria de agonia

 Uma romaria de agonia

O acto eleitoral que decorrerá no próximo domingo (18 de Janeiro) determina a eleição do Presidente da República Portuguesa. (informacao.lisboa.pt)

A grandiloquência política actual é recheada de pedaços de torresmos em bailarico com sumo de nada pela goela abaixo. Não há ideias, há “soundbytes”. Não há vontades, há gula. Não há vergonha, há lata. Lata enferrujada eticamente.

(Direitos reservados)

As ‘palhaçadas’ de Manuel João Vieira não produzem efeito irónico porque, no essencial, não diferem de muito das que outros candidatos fazem. Ou a que se sujeitam para surripiar o votinho de um Zé Povinho macambúzio para pensar e alegrete para levar porrada.

Viana do Castelo (Créditos fotográficos: Antoine Pouligny – Unsplash)

Mesmo assim votarei para travar o pior de tudo. Mas só mesmo por isso. Não suporto esta romaria toda. É mesmo uma romaria de agonia! Que dá agonia.

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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15/01/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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