Eduardo Gageiro (1935-2025)

 Eduardo Gageiro (1935-2025)

Ana Sousa Dias entrevista o fotojornalista Eduardo Gageiro, sobre o seu percurso profissional. (arquivos.rtp.pt)

A madrugada de ontem trouxe-nos a notícia da morte de Eduardo Gageiro. O fotojornalista que denunciou o Portugal do Estado Novo e nos deu a conhecer as primeiras fotos dos Capitães de Abril.

Eduardo Gageiro tinha 90 anos. E uma vida inteira como fotógrafo de jornais. Tinha apenas doze anos quando uma foto da sua autoria foi publicada na primeira página do Diário de Notícias.

(e-cultura.pt)

Natural de Sacavém, Eduardo Gageiro cresceu entre operários fabris e artistas plásticos. Por isso, a sua obra é marcadamente humanista.

Iniciou a sua carreira no Diário Ilustrado e, pouco tempo depois, passou a colaborar nas revistas O Século Ilustrado, Eva, Almanaque e Match Magazine.

Em 1975, venceu o World Presse Photo com uma fotografia de António de Spínola, “em cujo semblante emergia o sinal dos velhos tempos”, num país que acabara de se livrar de 48 anos de ditadura.

Eduardo Gageiro morre aos 90 anos. (informacao.lisboa.pt)

Mas foram as fotografias que fez durante “o dia inicial, inteiro e limpo” – como recorda o fragmento de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen – que o guindaram ao Olimpo, que acolhe os eleitos.

Salgueiro Maia em negociações com Pato Anselmo, na Avenida Ribeira das Naus, em Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974. (Créditos fotográficos: Eduardo Gageiro – eduardogageiro.com)

O assalto à PIDE/DGS (Polícia Internacional e de Defesa do Estado que passou a ser designada Direcção-Geral de Segurança), com um agente em cuecas rodeado por militares em plena Rua António Maria Cardoso (onde estava instalada a DGS), e o momento em que Salgueiro Maia percebe que a revolução triunfara foram captados em fotografias, a preto e branco, que testemunham as cores alegres do “25 de Abril”.

Obrigado, Eduardo Gageiro!

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05/06/2025

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Soares Novais

Porto (1954). Jornalista. Tem prosa espalhada por jornais, livros e revistas. “Diário de Notícias”, “Portugal Hoje”, “Record”, “Tal & Qual” e “Jornal de Notícias” (JN) são algumas das publicações onde exerceu o seu ofício [Fonte: “Quem é Quem no Jornalismo”, obra editada pelo Clube de Jornalistas, em 1992]. Assinou e deu voz a crónicas de rádio. Foi delegado sindical e dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) [no biénio de 1996/97, sendo a Direcção do SJ presidida por Diana Andringa], da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP) e membro do Conselho de Redacção do JN, do qual foi editor-adjunto do “Gabinete de Reportagem” e do “Desporto”. É autor do romance “Português Suave – Cuidado com cão” [1.ª edição “Euroedições”, em 1990; 2.ª edição “Arca das Letras”, em 2004], do livro de crónicas “O Terceiro Anel Já Não Chora Por Chalana”, da peça de teatro “E Tudo o Espírito Santo Levou” e da obra para a infância “A Família da Gata Pintinhas”. É um dos autores portugueses com obra publicada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Actualmente, integra a Redacção do jornal digital “sinalAberto”.

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