A urgência de pensar

 A urgência de pensar

(Imagem gerada por IA – chatgpt.com)

A velocidade a que se desagrega o sentido de comunidade (pátria, religião, ideologia, família, o que for) e a degradação e o facilitismo do “pensamento” nas redes sociais contribuem crescentemente para a diluição da própria sociedade e da capacidade crítica. O que nos “mata” na economia, na política, na informação, no mundo académico, na cultura, na ciência, na arte, na educação.

Um dos distritos brasileiros de Mariana, Paracatu de Baixo, devastados
pela lama. (Créditos fotográficos: Raquel Freitas / g1.globo.com)

Nunca como hoje a ideia da “formação integral do indivíduo” (propugnada por Bento de Jesus Caraça) foi tão necessária e, ao mesmo  tempo, tão distante da realidade.

Conseguir combater o desânimo e fazer alguma coisa, por mais pequenina que seja, já não é apenas resiliência, nem sequer mera resistência. É uma questão central para evitar que soçobremos num suicídio colectivo, enterrando na lama os edifícios ou os alicerces do nosso passado e do nosso futuro.

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 27/07/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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