Crónica da China: 16.º dia
(© RUNA – Rute Norte)
De bicicleta até ao mercado agrícola / dia de estúdio
Hoje é sexta-feira, 24 de abril de 2026. Dormi oito horas entre as 21h00 e as cinco. Os meus sonos estabilizaram neste horário de Chengdu.
Às sete da manhã, fui ao mercado. Pintei entre as 8h15 e as 17h00.





Esta fotografia é enganadora, porque as bicicletas não devem seguir em frente, ou seja, não devem fazer o mesmo caminho dos carros. Eu tenho de atravessar junto do semáforo que se vê ali à direita, e está verde. As bicicletas obedecem aos semáforos das bicicletas – ou dos peões, quando não existem os primeiros. Estou aqui, nesta posição, porque contorno uma cerca à minha direita. Mas vou atravessar no cruzamento daquele semáforo das bicicletas.







Estas frutas-do-dragão (também conhecidas como pitaias) são todas vermelhas no interior. Também há as brancas, mas as vermelhas são mais doces e saborosas. Eu já tinha provado ambas em viagens anteriores, nomeadamente no Vietname, em 2005. Nessa altura, levei meia dúzia delas para oferecer aos amigos, em Lisboa. E chegaram bem! E ofereci-as. Porém, então, há 21 anos, nunca se tinha visto tal coisa em Portugal. Recordo-me que eles encararam com alguma desconfiança um “bicho” tão estranho.
Eu também quis levar um durião, mas esse ficou apreendido. Os funcionários do aeroporto riram-se. O durião cheira mal, não pode ir no avião. Já não consigo lembrar-me, com exatidão, onde é que eu levava essa fruta toda. O durião ia num saco de plástico, na mão, mas não me lembro como transportei a meia dúzia de frutas-do-dragão. Será que iam na bagagem do porão? Fui reler as crónicas do Vietname, todavia não escrevi nada sobre essa prenda que levei aos amigos.





Bicicleta: 2,5 yuans (0,30 euros). Regresso idem.
Duas frutas-do-dragão: 28 yuans (3,36€); bananas: 18 yuans (2,16€) e bolos: 2,5 yuans (0,30€).
Estas bananas pequenas são mais caras do que as grandes. Têm um sabor diferente e são também conhecidas como banana-maçã, por terem um sabor que lembra a maçã. Têm ainda uma polpa mais firme. Só consigo arranjá-las aqui na Ásia – também as comi em Timor-Leste, por exemplo. Enquanto aqui estou, em Chengdu, opto sempre por comer este tipo de bananas, que não existem em Portugal.








Um grupo de visitantes do parque, que estão a ser guiados por uma funcionária da NongYuan, a Luo Yufeng, de vestido preto. Passaram em frente do meu estúdio, espreitaram e convidei-os a entrar. Falam todos Inglês e conversámos um pouco. A senhora que está ao meu lado já esteve em Lisboa e fez um doutoramento em Amesterdão. Um dos visitantes disse para fazermos o sinal de “OK” com o polegar e essa senhora respondeu: “Isso é algo muito chinês.” Todos nos rimos.













O parque já fechou, mas vai grande azáfama cá dentro, porque uma empresa de vestuário infantil está a montar um palco para este fim de semana.





O gato do Toni, chamado Xiao Hui, que significa “Pequeno Cinzento”.

E a Xiao Huang, que significa “Pequena Amarela”, conforme expliquei na crónica 13.
São práticos, os Chineses, a dar nomes aos gatos. Se houver muitos da mesma cor, a coisa complica-se. Enfim, posso dizer que já tomei conta de três gatos de rua e chamava-os, a todos, “Gatinho”. Frequentemente andavam juntos, mas chamava-os, a todos, “Gatinho”. E não havia problemas, sempre nos entendemos. Hoje, sou cuidadora de uma gatinha de rua e ela sabe perfeitamente que o seu nome é “Gatinha”. O cérebro humano não dá para mais do que isto, com tal proliferação de gatos.

13/07/2026