Crónica da China: 28.º dia
(© RUNA – Rute Norte)
De bicicleta até ao mercado agrícola / dia no estúdio
Hoje é quarta-feira, 6 de maio de 2026.
Estou nos dias da reta final, antes da minha partida, e quero fazer tudo: terminar as pinturas e conhecer o resto de Chengdu. Parto no domingo à noite, ou seja, dentro de quatro dias, e o tempo tem agora de ser muito bem gerido. Gostaria de terminar a tela verde – a grande, pelo menos. E não conheci nem um terço de Chengdu, ainda.
Pequeno-almoço às 6h40. Já faz muito calor; às sete da manhã estão 23°C (73.4°F). O que, para mim, é maravilhoso. Acho até que tem estado muito frio, para meu gosto: prefiro temperaturas na ordem dos 30°C (86°F).
E de manhã parece uma selva amazónica, com muitos tipos de cantos de pássaro, alguns que eu nunca tinha ouvido.



Ontem, ao final da tarde, o Toni andou a aparar esta luxuriante vegetação, como mostrei noutras fotografias; e hoje, de manhã, um funcionário do parque virá apanhar os ramos caídos.

Recordo que, no lado esquerdo desta casa, se situa o estúdio do Toni, onde ele trabalha com a tradicional laca chinesa. Na crónica 4, mostrei alguns dos seus trabalhos. No lado direito, pelo que percebi, há outro artista, mas é noturno ou, pelo menos, só o vi às quatro da manhã, duas ou três vezes. Ele acende a luz a essa hora e ilumina o pátio todo. Como durmo com as cortinas abertas – conforme expliquei anteriormente, não acendo luzes nenhumas durante a noite, ando com a iluminação natural que vem do exterior; e, portanto, quando ele acende a luz e ilumina o pátio, ilumina o meu quarto também. Eu trouxe um tapa-olhos de Lisboa e coloco-o nessas alturas.

Todas as viagens que agora faço, na bicicleta, não pago – porque tenho o passe semanal, que custa 7,5 yuans (0,90 euros). Eu já devia ter um passe mensal, desde o início da residência.










Estes veículos são moto-táxis!






Esta vendedora de ovos chama-se Tang Xinyuan. Da última vez em que aqui estive, conversámos um pouco com os tradutores dos nossos telemóveis; e a Tang sugeriu-me um espetáculo de luz que ia haver nesse sábado à noite, no Museu de Ficção Científica. Era às 21 horas. Mostrou-me algumas imagens e parece ser fantástico. Em Lisboa, também se fazem estes espetáculos na Praça do Comércio, onde já vi alguns. Mas eu disse logo que não iria por ser muito tarde. Estou com um ritmo muito elevado, agora, em Chengdu. Estou na reta final e quero manter o ritmo de deitar cedo e acordar cedo, bem como dormir as horas todas necessárias. Perguntei-lhe se ela tinha ido assistir, mas a Tang também não foi.
Nesta vez, comprei-lhe três ovos verdes, de pato. A Tang ainda me ofereceu alguns de codorniz, que tentei devolver; ainda coloquei dois ou três na caixa, novamente, mas ela não deixou mais. Assim, fiquei com os restantes. Bom, vou também comê-los cozidos. A Tang, se calhar, pensa que posso fazer algum cozinhado, mas só tenho um fervedor de água.


Raiz de lótus.






Moto-táxis na saída do metro.


Eu já tinha mostrado duriões à venda na crónica 8, num vendedor da rua, após ter visitado o Centro dos Pandas. Ele vendia a 19,9 yuans o “jin” (2,39 €). Nos mercados e feiras da China continental, a unidade mais comum para vender fruta, legumes, carne e outros alimentos não é o quilograma, mas sim o “jin”. Um “jin” corresponde a 500 gramas, ou seja, meio quilo. E nesse dia não reagi, mas vou reagir agora: vou comprar um, apesar de nesta frutaria ser um pouco mais caro. Só tenho oportunidade de comer estas coisas nestes países e vou aproveitar. Ainda perguntei se podia comprar apenas metade, mas não deixam, tem de ser o durião inteiro. Já comi durião no Vietname e sei que é muito bom. É doce e cheira mal que se farta. É como os queijos malcheirosos. Vou ter de fechá-lo no guarda-fatos.
Nesta foto, a senhora está a ditar uma mensagem ao telemóvel, para este traduzir para mim.

As ferramentas para abrir o durião são próprias: uma faca com a ponta curva e uma espécie de alicate que abre a casca, depois de ser ter espetado dentro desta.


A vendedora ia colocar-me a fruta toda – descascada – dentro de caixas, como aquela em cima da balança, mas não deixei cortar mais, porque quis levar a casca comigo para fotografá-la. Ela fez um pequeno corte nas pontas e explicou-me, a meu pedido, como é que abro o resto. A casca pica muito. Repare-se que a vendedora tem uma luva; certamente, é de malha metálica.















Agora, é a vez de a Eleni visitar o meu estúdio.

A verdade é que tenho fotografado toda a gente a subir estas escadas. Eu própria ainda não tinha uma única foto assim. Foi desta. A Eleni tirou-me esta fotografia. Continuo sem conseguir explicar bem porquê, mas isto faz-nos rir a todos.






O prato de cima tem raiz de lótus fatiada. É bom, mas diria que não tem grande sabor; depende de temperos para ganhar sabor.
.
21/09/2026