Entre a espada e a parede

 Entre a espada e a parede

(Créditos de imagem: Maike uns Björn Bröskamp – Pixabay)

Razões, no plural, deixam-me suspenso sem saber o que posso fazer. Umas decisões podem conduzir-me ao fim de facto, outros à “culpa”, tenha-a eu ou não. São momentos muito íntimos que nos colocam entre a espada e a parede. E não tenho ninguém que esteja suficientemente por dentro para saber totalmente das razões desta hesitação.

Porto – São Bento. (Créditos fotográficos: Yuri Félix – pexels.com)

A vida, que já me corria com muitos sobressaltos, incluindo materiais, apresenta-se-me como um dilema único e muito danificante em qualquer escolha. É assim e é, por vezes, Deus (seja lá o que Ele seja ou que seja, apenas, nossa projecção mental) quem nos desafia.

Perante coisas destas até as eleições para a Presidência da República são coisas absolutamente menores. O Mundo é muitíssimo mais do que as coisas em que perdemos tempo, julgando-as grandes desideratos. É nestes momentos que a Vida tem tanto de madrasta quanto de grandiosa em pequenos actos pessoais. E olho para Deus, que não sei qual, mas em que creio, para que me ilumine.

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11/12/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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