Falar junto das pessoas
(Imagem gerada por IA – firefly.adobe.com)
A repetição estafada de fórmulas de propaganda política não é boa conselheira. Igual ou pior é a incapacidade de enquadrar um discurso em processos que respondam eficazmente ao mundo das fake news e à grosseria da extrema-direita.
O cumprimento cerimonial das tradicionais manifestações de rua, quando incapazes de mobilizar multidões (é o que acontece na esmagadora maioria das vezes) teria muitíssimo mais eficácia se recorresse a uma também linguagem de proximidade e contacto directo. Não por via dos mesmos canais (ou não apenas por estes), mas no contacto pessoa a pessoa: no autocarro, no snack bar à hora de almoço, no Metro, na caixa do hipermercado, no pomar, ao redor de um estádio, na praia.

Num discurso simples, curto, com verdades, como, por exemplo, a de lembrar que o partido que prometeu ser diferente se tornou igual ou pior no que há de péssimo na vida política; que no tempo de Oliveira Salazar se passou (ou se conhece quem passou) por ter de repartir uma sardinha por três, dos familiares ou amigos que morreram ou ficaram deficientes numa guerra inútil e que, se resolvida a tempo diplomaticamente, mesmo do ponto de vista económico, teria trazido mais vantagens quer a Portugal quer aos países lusófonos; que havia mesmo uma polícia política que não permitia dizer mal do regime e se a houvesse agora o André Ventura ia preso…

Sem grosseria e sem ódio, mas com assertividade e palavras fortes. O resto é autocontemplação mais ou menos festivo-depressiva (gasta) do caminho da liberdade para o seu próprio holocausto.
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08/12/2025