Hoje nada tenho a dizer

 Hoje nada tenho a dizer

(Créditos fotográficos: Thibaut Lemmens – Unsplash)

George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 1906 – Lisboa, 1994) foi um
filósofo, poeta, ensaísta, professor, filólogo, pedagogo e tradutor
português. (arquivos.rtp.pt)

Hoje, nada tenho a dizer, porque nem todos os dias apetece dizer o que se pensa ou sente. Há um ditado antigo que nos diz que “a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro”. A palavra transformada em ruído impede tanto o diálogo e o entendimento e a reflexão, como o silêncio imposto à palavra.

Agostinho da Silva dizia (cito de cor a ideia, não garanto a exactidão dos termos) que “a ditadura é um regime em que nada se ouve devido ao silêncio e a democracia devido ao ruído”. A palavra, para se fazer ouvir, pressupõe o silêncio que lhe confere sentido e atenção. E, afinal, já disse muito! Calo-me.

.

12/01/2026

Siga-nos:
fb-share-icon

Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

Outros artigos

Share
Instagram