Impreparação de quem nos traz o café
(Créditos fotográficos: Leonardo Iribe – Unsplash)

Muito se tem discutido sobre o pacote laboral. Porém, de interesse de ambas as partes (contratado e contratante), há um assunto que não vi presente e bem justificaria o que, para uns e para outros, traz de benefícios ou de prejuízos, mas sobretudo do interesse geral do país e da população. Refiro-me à exigência de certificação pessoal para o exercício de todas as profissões.
No caso da restauração, é absolutamente chocante a impreparação da esmagadora maioria de quem nos traz o café ou a quem pedimos um pastel de Chaves. E digo isto considerando também os alvarás para se possuir a pastelaria. Veja-se as farmácias, por exemplo: se alguém pode aplicar capital numa, quem a dirige é um director clínico, seja o próprio dono, se tem habilitações, ou outrem que é obrigado a contratar. E quem diz isto diz igualmente dos condutores de táxis ou de TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Electrónica) e ainda de actores de telenovela, de balconistas, de mestres de obras, de guias turísticos. Tal como um advogado ou um engenheiro ou um médico.

Claro que essa certificação pode destinar-se a alguns casos de cursos de realização rápida, nada tendo a ver com o grau académico nem com o aprofundamento de conhecimentos de médicos, de advogados e de engenheiros, por exemplo. E, assim, é também claro que os vencimentos subiriam, bem como as receitas do Estado (pondo fim ou diminuindo muito o “biscate” não tributado). E os consumidores, mais bem servidos, menos pagariam.
Disse mesmo “menos”: o valor poderia ser um pouco mais alto, mas, na relação custo/qualidade, seria, de facto, menos. De resto, a produção aumentaria; com ela, salários e investimentos. E, no final, os postos de trabalho.

Este é um dos motivos por que, na realidade, a produtividade não aumenta com qualidade. Não é por causa de salários baixos nem de dificuldades empresariais para os pagar mais altos. Enquanto não se puser fim a esta “pescadinha de rabo na boca” não sairemos da “cepa torta”. Como não dá votos, tantos são os “biscateiros”, mesmo na política, na comunicação social, na economia e até no meio artístico, que estamos f…
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Nota do Director:
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20/04/2026