Impreparação de quem nos traz o café

 Impreparação de quem nos traz o café

(Créditos fotográficos: Leonardo Iribe – Unsplash)

(Créditos fotográficos: Johan Mouchet – Unsplash)

Muito se tem discutido sobre o pacote laboral. Porém, de interesse de ambas as partes (contratado e contratante), há um assunto que não vi presente e bem justificaria o que, para uns e para outros, traz de benefícios ou de prejuízos, mas sobretudo do interesse geral do país e da população. Refiro-me à exigência de certificação pessoal para o exercício de todas as profissões.

No caso da restauração, é absolutamente chocante a impreparação da esmagadora maioria de quem nos traz o café ou a quem pedimos um pastel de Chaves. E digo isto considerando também os alvarás para se possuir a pastelaria. Veja-se as farmácias, por exemplo: se alguém pode aplicar capital numa, quem a dirige é um director clínico, seja o próprio dono, se tem habilitações, ou outrem que é obrigado a contratar. E quem diz isto diz igualmente dos condutores de táxis ou de TVDE (Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículos Descaracterizados a partir de Plataforma Electrónica) e ainda de actores de telenovela, de balconistas, de mestres de obras, de guias turísticos. Tal como um advogado ou um engenheiro ou um médico.

(br.freepik.com)

Claro que essa certificação pode destinar-se a alguns casos de cursos de realização rápida, nada tendo a ver com o grau académico nem com o aprofundamento de conhecimentos de médicos, de advogados e de engenheiros, por exemplo. E, assim, é também claro que os vencimentos subiriam, bem como as receitas do Estado (pondo fim ou diminuindo muito o “biscate” não tributado). E os consumidores, mais bem servidos, menos pagariam.

Disse mesmo “menos”: o valor poderia ser um pouco mais alto, mas, na relação custo/qualidade, seria, de facto, menos. De resto, a produção aumentaria; com ela, salários e investimentos. E, no final, os postos de trabalho.

(Créditos fotográficos:  Neo Idea – Unsplash)

Este é um dos motivos por que, na realidade, a produtividade não aumenta com qualidade. Não é por causa de salários baixos nem de dificuldades empresariais para os pagar mais altos. Enquanto não se puser fim a esta “pescadinha de rabo na boca” não sairemos da “cepa torta”. Como não dá votos, tantos são os “biscateiros”, mesmo na política, na comunicação social, na economia e até no meio artístico, que estamos f…

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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20/04/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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