Mistura de cobarde com rufia

 Mistura de cobarde com rufia

Imagem gerada por IA em que o presidente dos EUA, Donald Trump, aparece como Jesus Cristo. (Reprodução)

Sinceramente, eu não sei qual é a maior insanidade e obscenidade: a imagem que o “coiso” publicou e retirou ou vir dizer que julgava que era uma alusão à Cruz Vermelha.

(instagram.com/atiaverificou)

Nunca julguei, nesta fase da minha vida, depois de tantas ilusões e desilusões e do cinismo a que elas me obrigaram a ter ao olhar para o Mundo, ainda poder ser surpreendido por algo de tão inesperado e inusitado.

Que é perigoso, que é cruel e que põe em causa os interesses dos Estados Unidos da América (EUA) e causa insegurança a todos, incluindo os EUA, não se me oferecem dúvidas. Que vivemos no pesadelo, que custa sequer verbalizar, de desencadear um conflito termonuclear, é-me quase diário.

Estar estupefacto pelos generais do Pentágono ou de os responsáveis de outros serviços ainda nada terem feito, mesmo em interesse próprio, quanto mais não fosse, também é verdade. Mas, se, por instantes, eu esquecer todo esse horrível cortejo, não posso deixar de ficar maravilhado com a surpresa que ainda acabo por ter. Imaginei muitos cenários na minha vida, um assim nunca. É uma mistura de “palhaço” com assassino, de cobarde com rufia, de demente com delirante. É Trump! Não chega a ser trágico porque é patético. E não é uma farsa porque podemos ir todos pelos ares!

.

20/04/2026

Siga-nos:
fb-share-icon

Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

Outros artigos

Share
Instagram