Não há pobres mais pobres em Portugal do que os actores

 Não há pobres mais pobres em Portugal do que os actores

(Créditos fotográficos: Javad Esmaeili – Unsplash)

Tirando imigrantes clandestinos a monte em trabalho escravo e pensionistas com reformas de vergonha e ainda alguns dos sem-abrigo, não há pobres mais pobres em Portugal do que os actores.

Não me refiro a “influencers” nem a “corpinhos” contratados na Praia do Tamariz, no Lux ou no Elefante Branco, mas facilmente descartados (coitados, de tanta ingenuidade!). E ninguém, nem os próprios (talvez por vergonha), quer falar disso. Um polícia, um enfermeiro e um professor queixam-se com razão, mas nada tem a ver com a pobreza dos actores.

(linkedin.com/in/alberto-lopes)

É uma vergonha e um sintoma da decadência, a chegou um sistema caduco e analfabeto. “Um povo que não ajuda e não fomenta o seu teatro, se não está morto, está moribundo” (segundo Federico García Lorca), porque “o teatro é um grande meio de civilização, mas não prospera onde a não há” (como afirmou Almeida Garrett).

NUNCA, nos últimos 200 anos, o teatro português foi tão desamado e esteve tão mal. Doa a quem doer ouvi-lo, é assim, desde o século XXI, pelo menos. Antes da Troika, depois da Troika, com António Costa ou com Luís Montenegro. E seria igual com os outros todos. Nem na Albânia de Enver Hoxa!1 É um bando de pífios parolo que (des)governa na Cultura, há décadas.

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Nota da Redacção:

1 – Seguindo a Wikipédia, lemos que Enver Halil Hoxha (1908-1985) foi o primeiro chefe do governo socialista da República Popular Socialista da Albânia, ao qual serviu por quatro décadas.

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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19/06/2025

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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