Primeira crónica da China: na residência NY20+
NY20+, na cidade de Chengdu. (© RUNA – Rute Norte)
Diz-me a IA que a palavra inglesa “𝗍𝗁𝗋𝗂𝗅𝗅” mistura emoção + intensidade + prazer, e que, em Português, muitas vezes é necessário mais contexto para escolher a palavra certa. Tenho de apresentar várias palavras, portanto, para descrever esta experiência na residência NY20+, na cidade de Chengdu. Mas eu insisto, porque “𝗍𝗁𝗋𝗂𝗅𝗅” resume tudo: emoção, intensidade e prazer.

E não admira que, logo nas primeiras pinceladas que dei, tenha usado exclusivamente o vermelho. O meu empório vermelho, como lhe chamei. Duas telas e cinco papéis vermelhos – pinturas vermelhas que terminei nesta residência. E mais uma tela verde, já numa segunda fase, já perfeitamente integrada na abundante vegetação ao redor do meu estúdio; e noutros tantos cenários tranquilos de Chengdu, que me permitiram reduzir um bocadinho – apenas um bocadinho – a adrenalina de tal experiência.






A residência artística NY20+, em Chengdu, na província de Sichuan, na China, é uma organização internacional de arte pertencente à “NongYuan Culture” (abreviada como NY), uma plataforma cultural chinesa privada que promove e gere um ambiente artístico e ecológico único, composto por três zonas artísticas que se estendem por 141 mil metros quadrados. Tendo como pilares os programas de residências artísticas, o planeamento de exposições, a cooperação escola–empresa e uma plataforma artística sem fins lucrativos, a NY20+ procura reforçar a interação entre artistas de diferentes regiões e países e a comunidade local.




Este programa de residências artísticas, lançado em 2008, está enraizado na rica cultura de Bashu, no espírito inclusivo da cidade de Chengdu e na ecologia cultural da NY. Proporciona aos artistas residentes oportunidades de investigação artística, experimentação, criação, comunicação e exposição. A organização passou a denominar-se “NY 20+” não só por se localizar no número 20, mas também para simbolizar um novo começo em 2020, após 20 anos de desenvolvimento da NongYuan, e para expressar uma visão promissora para os próximos 20 anos.



A minha residência decorreu de 9 de abril a 11 de maio de 2026 (33 dias – aqui estão incluídos dois dias para as viagens de ida e volta), e a NY20+ disponibilizou estúdio, alojamento, refeições (três por dia), materiais de pintura, apoio técnico e uma exposição final.




Chengdu está entre as quatro maiores cidades da China, em termos populacionais: em finais de 2023, data da última fonte oficial, a população era de 21 milhões de habitantes¹. Chengdu tem uma área de 14 mil quilómetros quadrados (km²). Já Portugal tem cerca de 92 mil km². Isso significa que Portugal é aproximadamente 6,4 vezes maior do que Chengdu, e Portugal tem pouco mais de 10 milhões de habitantes.




Chengdu é, por conseguinte, uma cidade vibrante, gigante – e cheia de bicicletas. Senti-me inevitavelmente como um peixe na água, a pedalar em tamanha balbúrdia. Balbúrdia para quem não é um peixe, entenda-se – porque todas aquelas bicicletas e motocicletas elétricas dançam uma única dança em uníssono. É só dançar a mesma dança e tudo decorre melifluamente. Além disso, os Chineses são gentis, simpáticos por natureza; e tiveram paciência com algumas transgressões que eu cometi aqui e ali, nomeadamente fugir com as bicicletas para fora dos percursos urbanos. Multaram-me – e depois devolveram-me os montantes (fui perdoada!).

Entremos nas crónicas diárias e tudo será apresentado e explicado gradualmente. Entremos neste 𝑡ℎ𝑟𝑖𝑙𝑙.

21/05/2026