Reconstruir…

 Reconstruir…

(cm-mgrande.pt)

A palavra de ordem de hoje, perante as calamidades do País, é “reconstruir”.

A II Guerra Mundial acabou em (simbolicamente) 2 de Setembro de 1945. E digo simbolicamente, porque os anos seguintes (1947-1991) foram marcados por uma outra guerra, a Guerra Fria!

Mau tempo causou destruição também na Marinha Grande. (facebook.com/municipiomarinhagrande)

No ano de 1974, passados apenas 29 anos, cheguei à República Federal da Alemanha (RFA), com 21 anos de idade e como refugiado político, com direito a asilo; e com deveres para me integrar, o mais depressa possível, na sociedade alemã.

Na cidade de Frankfurt (do Meno), fui colocado em Griesheim, bairro destinado para os asilados do outro lado da fronteira, dos países do Leste. Convivi com polacos, alemães, checos, jugoslavos… e todos aqueles que tinham passado para o Ocidente como refugiados que, tal como eu, num ápice, se transformaram em “gastarbeiters” – eufemismo para trabalhadores estrangeiros ou emigrantes.

Era o tempo de Willy Brandt (1913-1992), uma das grandes figuras políticas europeias; estadista alemão, líder do Partido Social-Democrata Alemão (SPD),  de 1964 a 1987; e chanceler da RFA, de 1969 a 1974. Recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 1971, pelos seus esforços para a reconciliação entre a Alemanha Ocidental e os países do bloco soviético.

Römerberg, em Frankfurt: a fonte central e a secção leste reconstruída. (en.wikipedia.org)

Frankfurt estava a ser reconstruída. A zona da Römerberg seria, mais tarde, completamente reconstruída a partir de documentos históricos. Essa zona é o coração da cidade e do município, junto da catedral gótica.

Kammerspiele, Schauspiel Frankfurt. (rausgegangen.de)

O teatro da cidade desaparecera e, em substituição, uma moderna estrutura albergava o teatro, a ópera e uma sala: Kammerspiele ou Teatro de Bolso (na acepção de António Pedro). O edifício mais emblemático que ainda permanecia em ruínas era a Alte Oper (a Velha Ópera), reconstruída posteriormente numa arquitectura interior mais moderna ou contemporânea.

A oferta cultural em Frankfurt/Main era, é e foi, na minha época, fundamental para a minha visão do teatro, como espectador e criador.

A Alte Oper (Antiga Ópera), vista do sudeste, em Julho de 2019. (de.wikipedia.org)

Foram estas centenas ou milhares de espanhóis, de turcos, de jugoslavos (quem se lembra da Jugoslávia de Josip Broz Tito?), de gregos, de portugueses e de africanos que ajudaram a reerguer Alemanha e outros países de Europa, como a França, a Bélgica e a Holanda (Países Baixos), até alcançar o nível de desenvolvimento que essas nações actualmente têm.

António José Seguro, Presidente da República
eleito. (instagram.com/ajseguro)

Hoje, as mãos dos estrangeiros – ou seja, dos imigrantes – ajudarão, com certeza, a reconstruir Portugal depois destas tempestades. Seria impensável desaproveitar estes recursos humanos… Por isso, não entendemos, nem nunca entenderemos a rejeição relativamente aos emigrantes, à sua integração e à necessidade que temos deles. Não apenas no campo laboral e económico, mas também no campo social, integrador de novas culturas, de novas realidades e identidades.

António José Seguro: sim. E com ampla maioria!… Permitam-me um breve comentário sobre uma eleição exemplar, que muitos tentaram ofuscar com a situação da catástrofe climática. O País foi unânime nesse sentido: “A Democracia, sempre!  Os extremismos, nunca!”

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Datas a assinalar

Jesse Jackson (1941-2026), activista pelos direitos
humanos e antigo senador dos Estados Unidos
da América, pelo Distrito de Colúmbia.
(pt.wikipedia.org)

80 anos do julgamento de Nuremberga, 50 anos da Democracia em Espanha, a mais longeva constituição democrática no pais vizinho.

É, igualmente, de lamentar a morte do pastor Jesse Jackson, defensor dos direitos civis que lutou por “manter viva a esperança”. Um dos principais líderes dos direitos civis dos Estados Unidos da América (EUA), morreu aos 84 anos. Em comunicado divulgado em 17 de Fevereiro, a família anunciou o falecimento e falou sobre a sua luta social e o seu activismo pelos direitos da população negra, ao longo dos anos.

Como cinéfilo que sou, não posso deixar de mencionar a morte do actor Robert Duvall. Morreu na noite de 15 de Fevereiro, aos 95 anos, na sua residência, em Middleburg, no estado da Virgínia, nos EUA.

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O actor Robert Duvall, em1894. (en.wikipedia.org)

A informação foi confirmada pela sua mulher, Luciana Duvall. Com uma carreira que começou nos anos 1950, Duvall destacou-se pela versatilidade e profundidade emocional que imprimia em cada papel, consolidando-se como um dos intérpretes mais respeitados de sua geração.

Foi-lhe atribuída uma das mais icónicas frases do cinema: “Adoro o cheiro do Napalm pela manhã.” Era o filme “Apocalypse Now” (em 1979) de Francis Ford Coppola, uma das últimas grandes representações de Marlon Brando. No filme, Duvall encarna o papel de tenente–coronel William “Bill” Kilgore. Assim, no ecrã, tivemos a oportunidade de ver (com o fundo musical da peça “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner) uma das mais cruéis e destrutivas armas de guerra inventadas pelo homem!

Afirmou o realizador Francis Ford Coppola: “Apocalypse Now não é um filme anti-guerra.” (theguardian.com)

26/02/2026

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Roberto Merino

Roberto Merino Mercado nasceu no ano de 1952, em Concepción, província do Chile. Estudou Matemática na universidade local, mas tem-se dedicado ao teatro, desde a infância. Depois do Golpe Militar no Chile, exilou-se no estrangeiro. Inicialmente, na então República Federal Alemã (RFA) e, a partir de 1975, na cidade do Porto (Portugal). Dirigiu artisticamente o Teatro Experimental do Porto (TEP) até 1978, voltando em mais duas ocasiões a essa companhia profissional. Posteriormente, trabalhou nos Serviços Culturais da Câmara Municipal do Funchal e com o Grupo de Teatro Experimental do Funchal. Desde 1982, dirige o Curso Superior de Teatro da Escola Superior Artística do Porto. Colabora também como docente na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, desde 1991. E foi professor da Balleteatro Escola Profissional durante três décadas. Como dramaturgo e encenador profissional, trabalhou no TEP, no Seiva Trupe, no Teatro Art´Imagem, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (UP) e na Faculdade de Direito da UP, entre outros palcos.

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