Vivemos num tempo bizarro
Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia), em Lisboa. (panteaonacional.gov.pt)

Nunca imaginara que um jazigo de capela atingisse valores de compra de 60 mil, 80 mil e, mesmo, 100 mil euros. E menos ainda que houvesse empresas do ramo funerário entre compradores para arrendar gavetões para as urnas!
É coisa que tenciono aproveitar, pois sou coproprietário de um. Mas é estranho que haja quem (e é maior a procura do que a oferta) pague rendas para ter mortos num condomínio fechado, quando tão poucas casas há para vivos.
Realmente, vivemos um tempo bizarro. Por mim, que vou beneficiar em vida e depois de morto, é-me indiferente (até quero ser cremado), não reclamo, nem deixo de aproveitar a oportunidade. Apenas me espanto. E não devia: quando se fazem jantares de gala no Panteão Nacional. Por que – poderia ser outra modalidade – não fazer merendas de domingo em jazigos de família?
.
26/03/2026