Vários países da Europa terão eleições em 2026, que trarão mudança

 Vários países da Europa terão eleições em 2026, que trarão mudança

(Créditos fotográficos: Christian Lue – Unsplash)

Eleitores de todo o continente europeu terão grandes escolhas a fazer em termos eleitorais. Em alguns casos, a situação política manter-se-á praticamente inalterável, ao passo que, em outros, as alterações podem ser significativas.

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Portugal é um dos países em que as eleições presidenciais dificilmente mudarão o panorama político nacional. Na verdade, as eleições presidenciais, marcadas para 18 de janeiro, porque o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa terminará a 9 de março, vão determinar quem será o próximo Presidente da República. Porém, uma coisa é dada como garantida: a disputa não será decidida à primeira volta, pelo que se prevê uma segunda volta a realizar a 8 de fevereiro.

A um mês da primeira volta das eleições presidenciais, as sondagens pareciam mostrar outro cenário evidente: a incerteza sobre quem serão os dois candidatos que irão a votos numa eventual segunda volta.

Presidente da República cessante, Marcelo Rebelo de Sousa. (presidencia.pt)

Uma análise da Rádio Renascença, com base em sondagens divulgadas nos últimos dois meses, os resultados agregados desses inquéritos de opinião sustentam que Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelos partidos que formam a coligação governamental AD (Aliança Democrática) – o Partido Social Democrata (PSD), de que é oriundo, e o partido do Centro Democrático Social (CDS) – vai na frente, com 20,7% das intenções de voto. Segue-se André Ventura, líder do partido Chega (considerado antissistema), com 19,9%, vindo, logo a seguir, Henrique Gouveia e Melo (que vem de fora do sistema partidário) logo, com 18,9%.

Tal panorama configura, de acordo com alguns observadores um empate técnico e não exclui a ida a uma segunda volta de António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS), de que foi secretário-geral, de 2011 a 2014.

A não ser que André Ventura obtenha a vitória eleitoral, a situação política manter-se-á. Com efeito, apesar de eventuais divergências em relação ao atual governo, os sinais passados ao eleitorado são de complacência com o atual governo. E o PS tem revelado, na atual conjuntura, uma certa anemia política.  

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De acordo com alguns analistas, 2025 foi um ano crucial para eleições de alto risco em toda a União Europeia (UE).

A Roménia esteve no turbilhão de campanhas coordenadas de interferência estrangeira nas redes sociais, e o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, não consolidou a posição do seu partido contra os conservadores na corrida presidencial. E enquanto os democratas-cristãos regressaram ao poder na Alemanha, o bilionário de direita Andrej Babiš foi reeleito na Chéquia.

Bucareste, na Roménia. (pt.wikipedia.org)

A UE entra em 2026 com a guerra da Rússia na Ucrânia na sua fronteira oriental a prosseguir, já no seu quarto ano. Os estados-membros estão divididos sobre a melhor forma de apoiar Kiev e as tensões a aumentam entre o bloco europeu e os Estados Unidos da América (EUA). O presidente russo Vladimir Putin, trata os Europeus com insultuoso desdém. O presidente norte-americano, Donald Trump, depois de alguns ditos e atos de desdém, em relação à Europa, definiu contra ela a sua Estratégia de Segurança Nacional (ENS). Não obstante, a UE ainda considera os EUA como um aliado fundamental e, na sua mediocridade pouco vertebrada, até subscreveu um acordo comercial bilateral que revela uma vergonhosa subserviência. 

Por isso, é possível e expectável que as principais eleições do ano poderão, mais uma vez, transformar a posição política e geopolítica da Europa.

 (viajanteforadacurva.com)

Em 2026, poderá chegar ao seu termo o mais longo período de permanência contínua no poder na UE. Na verdade, Viktor Orbán foi primeiro-ministro da Hungria, entre 1998 e 2002, e pontifica, desde a sua reeleição, em 2010. Todavia, na corrida para um sexto mandato, enfrenta um sério adversário: Péter Magyar, antigo membro do Fidesz que se tornou líder da oposição.

O partido de Viktor Orbán, o Fidesz, e o partido de Magyar, o Tisza, não diferem em questões sociais, como os direitos LGBTQ+ e a migração, mas Magyar defende, fortemente, a melhoria do poder de compra dos Húngaros, um dos mais baixos da Europa, e melhores relações com a UE, a qual mantém o condicionamento dos pagamentos multimilionários do Fundo de Coesão ao respeito pelo Estado de Direito.

A campanha eleitoral está a dar frutos, pois as últimas sondagens colocam o Tisza com 13% de vantagem. Porém, qualquer que seja o resultado, a votação terá ramificações muito para lá das fronteiras da Hungria.

O primeiro-ministro, Viktor Orbán, detém posição central no campo nacional-conservador, alinhando, estreitamente, com a mundivisão do presidente dos EUA e desafiando, abertamente, as posições dominantes da UE, em matéria de migração, em padrões democráticos e, em particular, na guerra na Ucrânia, arrastando consigo a Eslováquia e a Chéquia. Até a Bélgica logrou impedir o uso ativos russos para reparações diretas à Ucrânia. 

Na verdade, a relutância de Budapeste em sancionar Moscovo ou em apoiar Kiev cavou divisões no seio do bloco. Por conseguinte, uma eventual mudança de liderança pode alterar a dinâmica do poder no Conselho Europeu, num momento crucial para o futuro da Ucrânia.

Praça Mayor em Madrid (na Espanha ) ao entardecer. (pt.wikipedia.org)

Quatro das maiores potências da UE – A Espanha, a Alemanha, a França e a Itália – preparam-se para eleições regionais e autárquicas, que deverão confirmar a força da extrema-direita e servir para medir a crescente desconfiança, em relação às autoridades de Madrid, de Berlim, de Paris e de Roma.

Em Espanha, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, está a ressentir-se da derrota nas eleições regionais de 21 de dezembro de 2025, na Extremadura, com o seu pior resultado de sempre naquele que era um seu reduto tradicional. Ao mesmo tempo, em Madrid, a coligação governamental de Pedro Sánchez está sob pressão, depois de vários escândalos de corrupção e está a lutar para aprovar um orçamento, pelo terceiro ano consecutivo. Por outro lado, as próximas eleições regionais, em Aragão, a 8 de fevereiro, em Castela e Leão, a 15 de março, e na Andaluzia, a maior região de Espanha em dimensão e em população, a última a 30 de junho, serão testes cruciais, para o PSOE, e para o Partido Popular (PP), na oposição de centro-direita.

A questão é saber se o PP assegurará maiorias, antes das eleições gerais de 2027, sem depender do apoio do partido de extrema-direita, o Vox.

Vista panorâmica da Torre Eiffel e do rio Sena a partir da Torre Saint-Jacques, em Paris. (pt.wikipedia.org)

Também a 15 e 22 de março, os Franceses vão às urnas para eleger presidentes de câmara em todo o país e, tal como em Espanha, estas eleições locais servirão de indicador antes das presidenciais de 2027. Com efeito, a França enfrenta uma crise política de instabilidade governamental prolongada, índices de aprovação do presidente Emmanuel Macron, nunca dantes atingidos, e a contínua ascensão do Rassemblement Nacional (RN) de extrema-direita, apesar de a sua líder Marine Le Pen estar impedida de se candidatar. Tudo isto decorre de a decisão de Emmanuel Macron ter precipitado a convocação de eleições legislativas antecipadas, devido à derrota do seu partido nas eleições para o Parlamento Europeu (PE), em 2024, tendo ficado a Assembleia Nacional fragmentada em três blocos partidários, do que resulta difícil a formação de um executivo coerente e consistente. 

Vista panorâmica do horizonte de Roma, Itália. (pt.wikipedia.org)

Na Itália, as eleições municipais, nas principais cidades de Roma, de Milão, de Bolonha e de Turim foram adiadas, durante a pandemia (já lá vão mais de cinco anos), e reagendadas para a primavera de 2027. Contudo, os eleitores irão às urnas em 2026, apenas num número reduzido de cidades, como Veneza, Reggio Calabria, Arezzo, Andria e Pistoia.

Além disso, os Italianos serão chamados a um referendo sobre uma reforma constitucional do sistema judicial, que será apresentado na próxima primavera, mas cuja data ainda não foi fixada, e que será visto como um teste ao apoio da opinião pública à coligação de Giorgia Meloni, antes das eleições gerais de 2027.

Ilha dos Museus em Berlim, com a Torre de TV na Alexanderplatz ao fundo, em julho de 2021. (pt.wikipedia.org)

Também vários Estados alemães se preparam para eleições regionais: Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado, em março, e Saxónia-Anhalt, Berlim e Mecklenburg-Vorpommern, em setembro. Trata-se de eleições estaduais que testarão a popularidade do chanceler, Friedrich Merz, no cargo desde maio de 2025, e que medirão a ascensão da extrema-direita na desindustrializada antiga Alemanha de Leste e na mais rica Alemanha Ocidental.

Suécia (nomadglobal.com)

Na perspetiva das eleições legislativas de setembro, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, escreveu, no X, que, “quando a Suécia for às urnas, no próximo ano, fá-lo-emos numa situação de segurança grave que temos de ter em conta”.

Ulf Kristersson lidera uma coligação governativa de centristas, de socialistas, de liberais e de democratas-cristãos, que está, atualmente, a obter níveis semelhantes aos resultados das eleições de 2023, ano desde o qual a Suécia tem enfrentado um considerável aumento da criminalidade violenta, alimentando a retórica de direita (de discurso de ódio, de xenofobia e de racismo – capeado de nacionalismo) ouvida em toda a Europa, em que o fenómeno é, muitas vezes, enfatizado para fornecer argumentos contra a imigração.

Todavia, a “grave situação de segurança” que preocupa líder do executivo é a ameaça de interferência estrangeira. Em novembro passado, o Ministério da Defesa afirmou que reforçara as suas capacidades de cibersegurança e que estava em alerta para interferências eleitorais, como as que se verificaram na Alemanha, insistindo que, neste ano, a Rússia iria “pagar um preço” pelos seus “ataques híbridos” às infraestruturas eleitorais.

Ora, estas operações de interferência estrangeira são suscetíveis de beneficiar os partidos críticos da imigração, céticos em relação à integração na UE e mais ambíguos na sua posição, face a Moscovo, uma tendência exemplificada pelos democratas da Suécia. Por isso, as eleições, na Suécia, deverão funcionar como teste à resiliência democrática na UE, na sequência da aplicação da Lei dos Serviços Digitais (DSA), que combate a interferência eleitoral nas redes sociais, e do Escudo da Democracia proposto pelo bloco.

Copenhaga, na Dinamarca. (pt.wikipedia.org)

No reino da Dinamarca, após ter perdido Copenhaga, pela primeira vez, desde 1938, a primeira-ministra, Mette Frederiksen, e os seus sociais-democratas vão enfrentar uma votação nacional. As sondagens sustentam que Mette Frederiksen, no poder desde 2019, pode perder o cargo, pois a sua coligação governativa, que inclui partidos do centro-esquerda ao centro-direita, parece cada vez mais frágil. A votação deverá ter lugar antes de outubro de 2026, mas a data ainda não foi confirmada.

A Dinamarca também está seriamente preocupada com a sua integridade territorial. Com efeito, no início deste mês, Donald Trump reiterou as suas intenções expansionistas, em relação à Gronelândia, território autónomo do Reino da Dinamarca, tendo promovido ações de pesquisa in loco, através de um enviado especial, e não excluindo o uso da força armada.

Assembleia Nacional da Bulgária. (pt.wikipedia.org)

A partir de 1 de janeiro de 2026, a Bulgária adota, oficialmente, o euro como moeda. Contudo, o país tem vivido uma situação de grande instabilidade política, desde dezembro, na sequência da demissão do governo, em resultado de grandes protestos de rua contra a corrupção e contra a influência oligárquica. As eleições presidenciais estão marcadas para 8 de novembro, esperando-se que uma votação parlamentar resolva o impasse político.

Liubliana, na Eslovénia. (pt.wikipedia.org)

Na Eslovénia, as sondagens mostram o Partido Democrático, de centro-direita e na oposição, ligeiramente à frente do Movimento da Liberdade, partido de centro-esquerda liderado pelo primeiro-ministro, Robert Golob. Os analistas consideram que será difícil a formação de um governo após as eleições, já que vários partidos novos e mais pequenos estão a entrar na corrida.

Cidade Velha de Riga, na Letónia. (pt.wikipedia.org)

Na Letónia, as eleições determinarão quem sucederá à coligação de centro-direita liderada pela primeira-ministra, Evika Siliņa, cujo partido está em segundo lugar nas sondagens, logo atrás da Aliança Nacional conservadora.

No início de 2025, as eleições locais revelaram fragilidades no sistema informático de votação, mas a Comissão Eleitoral Central diz que as resolveu antes da votação de outubro.

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Entretanto, a UE não está só à mercê dos seus próprios eleitores.

Na verdade, os EUA, o Brasil, Israel, a Rússia e, eventualmente, e Ucrânia terão eleições globais com implicações para o bloco europeu.

Assim, em novembro de 2026, os eleitores norte-americanos irão às urnas para as eleições intercalares do Congresso, que determinam a composição da Câmara dos Representantes dos EUA e um terço dos lugares do Senado. O seu resultado poderá decidir o poder que a administração Trump poderá exercer, a nível interno e externo, o que põe de sobreaviso os Europeus.

Ataque ao Capitólio dos Estados Unidos da América, em 2021. (pt.wikipedia.org)

No início de dezembro findo, a administração dos EUA publicou a Estratégia de Segurança Nacional (ENS), a que já nos referimos, na qual prometeu “cultivar a resistência à atual trajetória da Europa dentro das nações europeias”, para impedir o seu “declínio civilizacional”.

Os brasileiros vão às urnas, em outubro de 2026, devendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o favorito nas sondagens, tentar a reeleição. O que está em jogo para a UE, nesta votação, é o futuro do acordo do Mercosul, acordo de comércio livre em elaboração, há mais de duas décadas, cuja minuta foi rubricada em 2025, mas cuja assinatura foi protelada para janeiro de 2026, a instâncias de alguns estados-membros da UE, nomeadamente, a Itália de Giorgia Meloni.

Israel também realizará eleições legislativas, de que poderá resultar um novo primeiro-ministro, o que poderá alterar a dinâmica de poder que tem moldado os conflitos na região.

Uma foto da vista da Praça Vermelha em Moscovo, tirada pelo Departamento de Estado dos EUA. Na verdade, apenas uma pequena parte da praça pode ser vista (a área azul está no centro). A maior parte da praça está obstruída pelo muro do Kremlin à esquerda. (pt.wikipedia.org)

Os Russos vão votar em eleições parlamentares, mas prevê-se que o resultado seja manipulado a favor do presidente Vladimir Putin, com os partidos da oposição em grande parte silenciados e a liberdade de imprensa cada vez mais escassa.

Por fim, também a Ucrânia, a concretizar-se, em 2026, o plano de paz, irá a eleições de que poderá resultar um novo presidente, mais do agrado de Vladimir Putin e de Donald Trump, o que, se vier a acontecer, forçará novo referendo nas regiões que a Rússia reivindica como seu território, com vista à opção de pertença à Ucrânia ou à Rússia. 

O voto é a arma do povo, mas alguns tentam orientá-la de forma abusiva e iníqua.

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Seria bom que bom que 2026 trouxesse à Europa e ao resto do Mundo uma onda do reequilíbrio de forças, com maior estabilidade governativa, baseada na genuína vontade popular a ditar as regras da democracia, sem as temíveis interferências externas e, sobretudo, com a paz justa como objetivo. Não mais a guerra, sim à paz, pelo diálogo e pela cooperação!

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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01/01/2026

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Louro Carvalho

É natural de Pendilhe, no concelho de Vila Nova de Paiva, e vive em Santa Maria da Feira. Estudou no Seminário de Resende, no Seminário Maior de Lamego e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi pároco, durante mais de 21 anos, em várias freguesias do concelho de Sernancelhe e foi professor de Português em diversas escolas, tendo terminado a carreira docente na Escola Secundária de Santa Maria da Feira.

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