Migalhas de solidariedade
(Créditos fotográficos: Eugene Kucheruk – Unsplash)
Era uma só formiga que trazia nas antenas 100 vezes o seu peso em bondade, apesar de ser uma migalha que sobrara da trituração de uma carcaça desmembrada por 100 leões implacáveis. Outras formigas traziam iguais migalhas de generosidade, de solidariedade, de compaixão.

Os leões refastelados adormeceram e foi mesmo por cima deles que o formigueiro formou o carreiro. Era pouco, muito pouco o que levaram todas e cada uma delas. Mas, à noite, à lareira, dormiram mais tranquilas, enquanto o excesso de alimento provocara cólicas na alcateia leonina ao luar.
Nos dias seguintes, nada mudaria. Também não mudaria o sono tranquilo das formigas nem o sono agitado dos felinos. É muito pouco. Nada muda. Mas não muda também a paciência consciente daqueles insectos. Já não é mau. É um consolo.
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02/04/2026