Vivas ao 10 de junho!

 Vivas ao 10 de junho!

Praça do Comércio, em Lisboa. (visitportugal.com)

Austrália… Áustria… Ístria… Itália… Gália… Galiza… Portugal. Oops! Chegámos ao destino da escrita de hoje. Não há de ser uma crónica habitual, essa data carece de uma escrita épica, de poesia.

Ah! Portugal! Ah! As comunidades portuguesas! Ah! Camões! Que dia! Quem diria? O poeta que viveu no exílio, ao partir desta vida, ganhou um feriado não só lisboeta, mas nacional.

(jfparanhos-porto.pt)

Durante o Estado Novo, ganhou um feriado nacional: dia da raça, ainda com um acento local. Todavia, com a Revolução dos Cravos, evoluiu para o que, desde sempre, é Portugal: dia da comunidade portuguesa, inclusive aquela que se encontra pelo Mundo afora. E agora? Este é o dia em que comemoro Portugal e em que Portugal também me comemora.  

Imagem do poeta português Luís Vaz de Camões (1524-1580), numa nota
angolana.  (pt.numista.com)

O todo é maior quando as suas partes se fundem, há sinergia. Comemoro, portanto, esse “synergos”. Sim, não nego. Esse é o dia magno que mais aproxima Portugal de mim, enquanto brasileiro, e eu dele. Dia de memória, de identidade, de pertencimento; bem mais além do que uma herança genética, digo-o numa perspectiva afetiva. Esta é a data que estabelece, que esclarece a minha festa!  Este é o dia que enaltece a inteireza: Portugal e eu somos um. Este é o dia que mais me remete à vocação da minha espécie: a de ser marujo e poeta. Dia de “lus” e de “Tanus”1 (luz e povo) de estar a celebrar o que vem a ser lusitano. Não é um dia comum, esse é o dia magnifico dentro do qual me significo e Portugal me significa. 

 (ue.missaoportugal.mne.gov.pt)

Dia ditoso, saboroso, já o diria o Luso, o festeiro noturno. Dia de conter e de ser o sal da terra e de ser luz no Mundo – transbordar de luz esse tanto mar que tão mais nos une do que nos separa. Dia em que a minha coerência e a minha missão se coadunam. Tenho criado pontes. Porém, a minha fonte é una: Portugal é o meu farol. Navegar é preciso!

Nesse sentido, mais que um dia de “feriatus”, este dia remete-me à “festum”. Hoje, Portus Cale é o meu porto de chegada. Não há outro sítio a ser um ponto de partida para aqui estar a contar. Cálido aconchego de reconhecimento mútuo, que dia feliz este dia! Vivas ao 10 de junho!

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Nota da Redacção:

1 – Como observa Brixta Lofn, o nome “Lusitânia” vem da fusão das palavras “lus” e “Tanus”, de origem celta, que significa, segundo alguns historiadores, “tribo Luso” e também “cidade da luz”.

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08/06/2026

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Lúcio Marques Ferreira

Lúcio Marques Ferreira Filho é um brasileiro com ascendência portuguesa. Nas suas próprias palavras, “herdou do pai não apenas o nome, mas também uma inusitada situação cultural e idiomática: soa excessivamente português para ser brasileiro e excessivamente brasileiro para ser português”. Escritor tardio, publicou aos cinquenta anos o livro de contos “Êxodos, Encontros e Desencontros” (Funalfa Edições, em 2004), a que se seguiu o livro de crónicas “Cidades Visíveis” (Martyria, em 2021). A obra “Cá entre Nós” é o seu primeiro romance (Imprensa Nacional Casa da Moeda, em 2025). Com a rubrica “Flanar é preciso!”, Lúcio Marques Ferreira assume-se como “um marinheiro que estará a contar estórias, aportando com bandeiras filosóficas, sociológicas, antropológicas e identitárias, que não foram deixadas de lado no mastro da nau”.

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