A liderança egoísta: quando o poder se torna uma ameaça pública
(tes.com)
Da sala de aula ao balneário, o ego que domina destrói tudo o que deveria unir
Há fenómenos que não precisam de escândalo para serem devastadores. Instalam-se devagar, quase invisíveis, e quando damos por eles já corroeram a confiança, a cooperação e o sentido de comunidade. Um desses fenómenos é a liderança egoísta, aquela que transforma o espaço coletivo num palco de afirmação pessoal, anulando tudo o que não serve o seu brilho.

O problema é simples: quando o líder só se vê a si próprio, ninguém mais consegue ver a equipa.
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1. A escola: quando a competição deixa de ser saudável e passa a ser demolidora
Numa escola, a liderança egoísta pode nascer onde menos se espera: num aluno que se destaca e decide que o seu sucesso depende de controlar os outros. Não precisa de violência. Basta ocupar o espaço simbólico.

O ambiente muda:
- A cooperação transforma-se em competição excessiva.
- Os trabalhos de grupo deixam de ser espaços de aprendizagem e passam a ser arenas de disputa.
- A iniciativa dos colegas é abafada por quem quer decidir tudo.
- O medo de errar substitui a vontade de experimentar.
- A escola deixa de ser comunidade e passa a ser território.
O mais perverso é a normalização: confunde-se egoísmo com ambição, domínio com liderança, agressividade com exigência. E assim se instala uma cultura onde o brilho de um depende da sombra dos outros.
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2. A equipa de futebol: o capitão que joga contra a própria equipa

O mesmo padrão repete-se no desporto. O capitão, supostamente guardião da unidade, pode tornar-se o principal fator de desagregação.
Quando o capitão é egoísta:
- joga para si, não para a equipa;
- decide sozinho, sem ouvir;
- humilha quem erra;
- abafa a iniciativa dos colegas;
- transforma o balneário num espaço de tensão;
- e usa o estatuto para proteger interesses pessoais.
A equipa deixa de ser equipa. Passa a ser um conjunto de jogadores orbitando em torno de um ego. O talento coletivo é desperdiçado. A criatividade desaparece. A alegria, que é a alma do jogo, evapora-se.
Tal como na escola, também aqui se confunde domínio com autoridade, e personalidade com liderança. Mas não é liderança: é apropriação do espaço comum.
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3. O denominador comum: o totalitarismo do ego
O que une estes dois cenários é claro: o egoísmo extremo é uma forma de totalitarismo.
Não precisa de gritos. Não precisa de castigos. Basta ocupar todo o espaço simbólico e emocional.
O líder egoísta instala uma lógica de domínio que:
- neutraliza a autonomia dos outros;
- transforma a diferença em ameaça; e
- substitui a comunidade por uma hierarquia emocional.
É um totalitarismo microscópico, mas devastador. E, quando se normaliza, destrói silenciosamente a saúde das instituições.
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4. As consequências: a morte lenta da comunidade
Quando a liderança é egoísta:

- a confiança quebra;
- a criatividade retrai-se;
- a iniciativa desaparece;
- a colaboração torna-se impossível; e
- a harmonia transforma-se em silêncio tenso.
A comunidade não implode de um dia para o outro. Vai morrendo aos poucos, como uma planta que deixa de ser regada: não cai, mas seca.
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5. A alternativa: liderança que distribui, não absorve
A denúncia é necessária, mas não basta. É preciso afirmar o contrário: a liderança que constrói é aquela que distribui poder, que escuta, que valoriza a diferença, que cria espaço para todos.
A verdadeira autoridade não se afirma pela força, mas pela capacidade de fazer crescer os outros.

Uma escola saudável é aquela onde todos podem aprender sem medo. Uma equipa saudável é aquela onde todos podem jogar sem receio de serem anulados. Uma comunidade saudável é aquela em que o líder não ocupa o espaço, abre-o.
Epílogo – Quando o líder joga sozinho
Há líderes que jogam sozinhos, mesmo rodeados de gente. Jogam sozinhos na escola, jogam sozinhos no balneário, jogam sozinhos na vida pública. E, quando o líder joga sozinho, todos os outros deixam de jogar, passam a assistir.
A escola e o futebol são apenas dois espelhos da mesma doença: o egoísmo extremo transforma o coletivo em território de desconfiança e a comunidade em silêncio. E nenhuma instituição sobrevive quando o silêncio substitui a confiança.
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02/07/2026