O culminar de uma civilização

 O culminar de uma civilização

(Créditos fotográficos: Gustavo Sánchez – Unsplash)

Não sei se é correcto falar de “retrocesso civilizacional” ou mais adequado pensar no “culminar de uma civilização”, mitigada por direitos e conquistas sociais, apenas provisórias, a fim de preparar as facas longas1 para consagrar, com o voto popular, o que Adolf Hitler não conseguiu acabar com botas cardadas.

(Imagem gerada por IA – chatgpt.com)

As “culpas” não residem apenas nestes cavalheiros que “chegam”, mas em todos os que tudo fizeram de mal para lhes escancarar as portas. A bem dizer, tudo começou em Budapeste, no ano de 1944, com um protocolo oculto1… Com uma esquerda mais ou menos radical (em dois matizes: o velho já muito velho e o velho que ainda se diz novo) e onanista, que nada vê, nada faz, em verdade, nada pensa nem reflecte: papagueia. E uma esquerda moderada, de mãos dadas com uma direita moderada, que assobiam para o lado. Por mim, podem ir todos para o tal “caixote de lixo da História” (de que o autor da frase2, também por lá acabou).

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No dia 30 de Junho de 1934, na denominada “Noite das facas longas”, Adolf
Hitler mandou matar vários membros do Partido Nazista, identificados por
ele como possíveis inimigos no futuro. (facebook.com/historiadigita

Notas da Redacção:

1 – A referência às “facas longas” remete, plausivelmente, para a Noite das Facas Longas, a purga nazi de 30 de Junho a 2 de Julho de 1934, que consolidou o poder de Hitler.

2 – Há, sim, contactos secretos soviético-húngaros em 1944 e negociações secretas relacionadas com a tentativa de a Hungria sair do campo do Eixo, mas isso não corresponde, por si só, a um “protocolo oculto” que tenha iniciado o processo aludido.

É talvez a cena mais dramática e icônica da Revolução de Outubro. No
Segundo Congresso, em Petrogrado, o bolchevique Trotsky aponta o dedo
para a saída e brada para o menchevique Martov: “Vão embora! Vocês são
uns miseráveis ​​ falidos que merecem estar na lata de lixo da História.”
(historicalmaterialism.org)

3 –A expressão “caixote de lixo da História” está associada a Leon Trotsky, mas a atribuição da frase exactamente na forma popularizada é historicamente discutida. Fontes académicas confirmam que Trotsky empregou a expressão russa correspondente, embora haja investigação que contesta a célebre cena tal como é tradicionalmente contada.

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Nota do Director:

O jornal sinalAberto, embora assuma a responsabilidade de emitir opinião própria, de acordo com o respectivo Estatuto Editorial, ao pretender também assegurar a possibilidade de expressão e o confronto de diversas correntes de opinião, declina qualquer responsabilidade editorial pelo conteúdo dos seus artigos de autor.

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24/08/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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