Assassinato linguístico

 Assassinato linguístico

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Um filme sobre dois escritores: Howard Phillips Lovecraft(1890-1937) e Fernando Pessoa (1888-1935), “Cartas Telepáticas“, de Edgar Pêra. Uma ideia interessante. O filme era falado em Inglês, o que tinha um enquadramento aceitável, dada a nacionalidade norte-americana de Lovecraft e de, dos dois, só Pessoa saber a língua do outro.

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O que não é aceitável é a legendagem em Português. Um erro cavalar de gramática causou-me um sobressalto. Cito: ” Uma vez que os homens de ciência recusaram a seguir os meus conselhos”, em lugar de “Uma vez que os homens de ciência se recusaram a seguir os meus conselhos” (os sublinhados são meus). Pessoa deve ter dado sete saltos na tumba. Diria, atendendo a que a Língua Portuguesa era a sua Pátria, que acabara de se cometer um homicídio. Lovecraft não, unicamente porque não sabia Português. Inaceitável.

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14/05/2026

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Jorge Castro Guedes

Com a actividade profissional essencialmente centrada no teatro, ao longo de mais de 50 anos – tendo dirigido mais de mil intérpretes em mais de cem encenações –, repartiu a sua intervenção, profissional e social, por outros mundos: da publicidade à escrita de artigos de opinião, curioso do Ser(-se) Humano com a capacidade de se espantar como em criança. Se, outrora, se deixou tentar pela miragem de indicar caminhos, na maturidade, que só se conquista em idade avançada, o seu desejo restringe-se a partilhar espírito, coração e palavras. Pessimista por cepticismo, cínico interior em relação às suas convicções, mesmo assim, esforça-se por acreditar que a Humanidade sobreviverá enquanto razão de encontro fraterno e bom. Mesmo que possa verificar que as distopias vencem as utopias, recusa-se a deixar que o matem por dentro e que o calem para fora; mesmo que dela só fique o imaginário. Os heróis que viu em menino, por mais longe que esteja desses ideais e ilusões que, noutras partes, se transformaram em pesadelos, impõem-lhe um dever ético, a que chama “serviços mínimos”. Nasceu no Porto em 1954, tem vivido espalhado pelo Mundo: umas vezes “residencialmente”, outras “em viagem”. Tem convicções arreigadas, mas não é dogmático. Porém, se tiver de escolher, no plano das ideias, recusa mais depressa os “pragma” de justificação para a amoralidade do egoísmo e da indiferença do que os “dogma” de bússola ética.

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